DNA Stellaris

INTRODUÇÃO

Esta é uma avaliação muito especial para mim. Primeiro porque é a única, talvez no mundo todo, e que tenha sido feita para um site com a finalidade de avaliar equipamentos ligados ao mundo da música, escutadas através de fones de ouvido. Também porque foram produzidas pouquíssimas unidades do equipamento em questão, e a que passou uns dias comigo é a 12ª apenas. E até a data desta publicação, tenho conhecimento de apenas 15 unidades entregues – tópico no Head-Fi. Por último, é especial porque é a primeira avaliação que faço de amplificadores, uma tarefa mais difícil que avaliar fones.

A possibilidade de ouvi-lo aqui no Brasil seria baixíssima, não fosse a generosidade do amigo Paulo Mário. Agradeço muito, e outra vez, por essa oportunidade.

Gostaria de abrir o texto com uma apresentação do próprio criador do Stellaris, Donald North, feita especialmente para esta avaliação, a pedido, e falando sobre si e sobre a história do seu produto:

“Sou formado em Engenharia pela Caltech e sou um entusiasta de longa data do áudio e da música. Para mim, música e áudio devem ser divertidos e cativantes, do contrário, por que ouvi-los? Eu sempre busquei uma experiência sonora realista, e às vezes os meios para conseguir isso podem conflitar com a crença comum na engenharia de que melhor desempenho mensurável é igual a melhor som. Eu acredito que o que importa no final é a percepção da música ouvida. É isso que me levou dos CDs e áudio digital no começo dos anos 90 de volta às gravações analógicas e em vinil. Em 1992 eu ouvi meus primeiros amplificadores valvulados high-end e ali, também, me dei conta que eles soavam mais realistas e fiéis aos instrumentos originais do que os amplificadores transistorizados. Então, em 1994, eu ouvi meu primeiro amplificador SET (Single Ended Triode) da Audio Note no sistema de caixas, e fiquei imediatamente viciado. Esse amplificador valvulado de baixa potência tinha tanta pureza e imediatismo, soava muito mais vívido e realista que qualquer coisa que eu já tivesse escutado.”

“Eu me interesso por fones de ouvido desde 1990, e me lembro de ter visitado lojas de áudio locais para escutar o que de melhor havia naquela época, incluindo o Sennheiser HD540, AKG K340, Grado HP1, Stax Lambda e Beyerdynamic DT990. Na minha opinião, naquela época, os dois melhores eram o Stax e o Beyer mas, sendo um estudante universitário, eu não tinha condições de comprar o Lambda, e acabei ficando com o Beyer. Eu continuei a experimentar fones e caixas pelos 18 anos seguintes, tendo conquistado 9 patentes nos EUA nesse período e, como anteriormente mencionado, tornei-me um fã dos amplificadores SET à época. Em 2009 eu tive a ideia de construir um amplificador valvulado para fones de ouvido aplicando muitos dos princípios que aprendi em relação aos amplificadores para caixas, e lancei o Sonett, que coincidentemente tornou-se um bom pareamento com o recém-lançado HD800. Pouco tempo depois cresceu em mim o desejo de construir um amplificador de maior potência, usando meu tubo de saída favorito, o 2A3, além dos melhores componentes, e transformadores da Audio Note. Levou vários anos para os transformadores customizados serem desenvolvidos, e então os componentes que o acompanhavam – incluindo capacitores e resistores – foram selecionados através de audições cuidadosas e exaustivas, na busca de pureza, clareza natural, e sonoridade realista. Isso finalmente levou à conclusão do projeto e lançamento do Stellaris.”

Um preâmbulo interessante sobre quem é a DNA, marca do Donald North, foi feito aqui, pelo Leonardo. Vale a pena ler toda aquela avaliação, pois o Stellaris tem como base de projeto o Stratus, ainda que projeto original tenha sofrido atualizações e melhorias desde aquela versão da avaliação.

ASPECTOS FÍSICOS

Não há muito o que falar aqui. Como dito anteriormente, o projeto do Stellaris parte da base do Stratus e quase tudo o que foi dito na avaliação do Leonardo vale para ele, cabendo apenas algumas atualizações e upgrades disponíveis, alguns solicitados pelo proprietário. Vamos a elas.

Embora estes amplificadores tenham saídas balanceadas, sua topologia continua sendo a SET – Single Ended Triode, ou seja, seu circuito é intrinsecamente single-ended. Aqui, porém, a unidade que avaliei conta com entradas balanceadas XLR 3 pin na traseira – além das RCA – que foram solicitadas direto na DNA, como upgrade. Fora questões de custo, todas superlativas em se tratando deste amplificador, esta implementação se beneficia da maior tensão disponibilizada por fontes balanceadas, em geral na casa dos 4 a 5 V em face dos 2 a 2,5 V típicos dos DACs single-ended. E isso impacta, também, na quantidade de força disponível na saída, algo saudável a quem sugere conduzir bem um AKG K1000. O proprietário justifica a escolha por já ter um DAC balanceado, fazendo sentido então que o resto da cadeia também o fosse.

Outro upgrade disponível e solicitado, foi o controle de volume, um stepped attenuator da marca TKD, substituindo o tradicional potenciômetro. De acordo com o Donald, ele traz maior clareza ao som.

Os tipos de válvulas utilizadas são as mesmas do Stratus, portanto, um par de 2A3; uma retificadora 5U4G e uma driver 6N1P. A impedância de saída continua em 3 Ohms – posição low da chave situada no painel dianteiro – podendo subir para 120 Ohms quando se muda a chave para a posição IEC, destinada a fones de alta impedância. E o ganho pode ser reduzido em 6 dB, quando utilizamos a saída P10, por meio de outra chave no painel. As saídas balanceadas XLR não têm o ganho afetado por essa chave. É importante mencionar que o Stellaris me foi fornecido pelo dono com algumas das melhores, mais caras e mais raras válvulas disponíveis para ele: as lendárias 2A3 da marca AVVT, cuja história é interessantíssima (link: https://jacmusic.com/html/diversen/history-of-AVVT/history-of-2A3.html); a retificadora U52 (em substituição à 5U4G), de fabricação inglesa dos anos 1950; e uma driver 6N1P especialmente selecionada e criogenicamente tratada pelo fornecedor.

Resumo:

O amplificador que concilia altíssimo desempenho na reprodução musical, com acabamento e construção de primeira e uma beleza que é única, muito própria e icônica. Ele consegue aproximar com muita propriedade o melhor dos dois mundos – valvulado e estado sólido. Organicidade e musicalidade extremadas sem perder em transparência e resolução.

Inegável que custe um alto preço, mas é saboroso deliciar músicas e não há nada que toque melhor que ele e que já tenha podido ouvir até agora. O melhor amplificador, sem dúvida.

O SOM

Condições de teste:

A avaliação que fiz do Stellaris é basicamente comparativa em relação ao meu amplificador de referência, o Violectric V281, com o qual estou bastante familiarizado. Ambos estão ligados a uma caixa seletora que permite mudar rapidamente qual deles está ligado ao DAC, sem prejuízo da qualidade sonora.

Mas antes…

Apesar de ter tido a chance de ouvir o Stratus em alguns encontros, não tive a oportunidade que estou tendo agora com o Stellaris, de passar um tempo tranquilo para examiná-lo melhor. Entender amplificadores em um ambiente barulhento, disputado e com músicas não habituais, algo comum em encontros, é um prato cheio para opiniões não tão precisas, dadas as diferenças não serem escancaradas.

Ainda assim, mesmo no primeiro dos dois únicos encontros em que o Stellaris esteve até agora, logo de cara me impressionei. Estávamos usando o Chord Hugo TT2, alternando-o entre o modo DAC – ligado ao Stellaris, e o modo AMP, no qual ele funciona de forma independente como combo DAC mais amplificador. O Chord é um produto impressionante, pelo qual já guardava admiração com relação ao seu desempenho. No entanto, associá-lo ao Stellaris fez o som escalar um pouco mais, para grande parte dos gêneros musicais. Logo de cara, na primeira audição e usando o HE-1000v2, um fone que conheço bem, o som parecia expandir em comparação com o TT2, de uma forma natural. Pensei: essa é característica típica dos melhores valvulados, mas foi um acréscimo muito coerente e que me agradou ali, naquelas músicas que ouvi.

Em casa, com minhas músicas e descobrindo músicas nos fones que mais conheço, é que percebi aonde o Stellaris chega. E é longe, em todos os sentidos.

V281 x Stellaris:

São duas escolas completamente diferentes. Um é alemão, com design funcional, industrial, simples e objetivo. Tudo está construído com esmero e sua beleza segue no caminho dos produtos voltados para a linha de equipamentos profissionais, portanto, não existem adornos desnecessários, digamos. O Stellaris, por sua vez, é americano e segue outra linha, a de produtos feitos a mão, com grande cuidado e igual capricho. Está no mesmo nível de produtos da sua classe, os valvulados, mas não posso deixar de mencionar que o Violectric me transmite muito mais a sensação de um produto que irá durar mais tempo. A natureza de cada um deles, enquanto marca, é diametralmente oposta, mas em som, eles guardam suas semelhanças.

Para todas as vezes que recorria ao DNA Stellaris ao invés do Violectric V281, vinha-me à cabeça 2 palavras: realidade e organicidade. No hobby, até aqui, esses mesmos adjetivos eram os que costumava atribuir ao alemão. Tanto que em todas as vezes que ouvi o Stratus lado a lado com ele, não me pegava pensando nos benefícios do valvulado azul. Aqui, porém, fui surpreendido com um sabor a mais. As músicas ganham algo ainda mais tátil e mais bem distribuído em camadas. Preciso dizer que essa é uma característica clássica atribuída às válvulas 2A3 e que entendo ter ouvido um pouco mais em realidade e naturalidade, um passo à frente no caráter que tinha para mim ser natural do Violectric V281.

Em momento algum quero diminuir o SS pois, no fim, concluo que ele faz mais do que poderia supor e só me surpreendi com ele, mas é que neste caso o Stellaris consegue ser mais polido e romântico ao cantar, sem que isso venha ao custo de perder em transparência e detalhamento. É incrível, ao fim, como ouço de forma ainda mais orgânica, melhor palavra para definir. O incrível detalhamento e equilíbrio para tudo o que coloco nele é quase o contrário do Zana Deux, um amplificador autoritário, com personalidade e que, portanto, não casa bem com tudo, mas que funciona magistralmente nos pareamentos corretos – Grado HP1000, Focal Clear, Utopia e até o HD800S. No Stellaris, do sensível IEM Audiodream Somnium ao dificílimo Hifiman Susvara, pasmem, ele canta de forma refinadíssima.

É claro que essas diferenças saltam mais aos ouvidos em um fone que você conhece bem e, neste caso, utilizei o HE-6 e o HE-1000v2 como referências para descobrir as características que cada amplificador tem. Importante também que sejam fones neutros e analíticos. O Stellaris consegue trazer uma última gota em refinamento faltante ao V281. É provável que em um ambiente barulhento e sem ter músicas e fones familiares, eu não pudesse distingui-los. Talvez o fato de a música ficar um pouco maior no espaço, típico efeito dos valvulados, seria uma dica.

Sennheiser HD800S:

Este Sennheiser é um fone que ainda encanta nos gêneros “certos” – música clássica e alguns estilos de jazz mais calmos, por exemplo, podendo ser a preferência sobre os fones que falarei abaixo.

Ele veio para “corrigir” o que o público dizia ser os “defeitos” do antigo HD800, portanto, o 800S tem um pouco mais de graves e agudos um pouco mais controlados, com a excelente espacialidade que tanto lhe fez fama e mantendo a assinatura neutra e analítica, mas fria.

O Stellaris com este fone consegue aplicar uma dose extra e muito bem-vinda de eufonia. O som tem maior polidez na reprodução musical e isso não significa nenhuma coloração. Claro, não seriam o HD800S – e HD800 – que iriam colorir a música.

O Sennheiser me parece soar tecnicamente melhor no Stellaris que no V281, e não me parece ser uma preferência pessoal, como quando ouvi este no Zana Deux, que reforça (graves) e amacia (agudos) regiões típicas, alvo das maiores críticas de muita gente. O DNA conseguir extrair melhor a pomposa alma de dentro da frieza típica desse alemão, mantendo-o líder inconteste nos gêneros certos.

Hifiman HE-6:

Este é um dos 5 melhores fones que já ouvi pelo conjunto sônico global. É impressionante a capacidade de tocar tudo muito bem, com altíssimo nível e por um excelente preço, ainda que levemos em consideração os custos da amplificação que, para este caso, é necessário precificar. Ele é o fone mais difícil de tocar que tenho e que passou por aqui.

Entretanto, o Stellaris cumpre essa tarefa e consegue tirar, novamente, uma dose a mais de refinamento do chinês. Assim como no Violectric, existe o peso e o impacto nos graves que fizeram dele uma lenda, mas isso implica saber que é tudo muito equilibrado e ainda mais palpável e tátil no DNA. Ele consegue transmitir isso se assim for a música, como ao ouvir o álbum de Victor Wooten, A Show Of Hands; ou Clair The Lune, do Kamasi Washington. A região dos médios continua incrivelmente realista e presente, tal como sinto no V281, mas é nos agudos que o Stellaris traz maior refinamento e suavidade, de forma muito interessante e sem que isso implique em perder transparência.

Claro que ainda estamos falando do HE-6, que tem uma intensa atividade nessa região, mas é uma implementação feita de forma magistral. Não soa metalizado ou artificial, desde que bem amplificado, o que ocorre no V281, mas avança no Stellaris, ficando ainda mais real.

Hifiman HE-1000v2:

Tenho o HE-1000v2 há menos tempo que o HE-6, mas ele me cativou pela assinatura típica da casa e por fazer o papel que um HD800S faz, no meu setup, qual seja, utilizo-o mais para música clássica.

Os graves têm muita profundidade e extensão, sendo muito rápidos e com bastante fisicalidade. A região dos agudos também é marcada, com excelente extensão e uma clareza sonora que é única. Já os médios conseguem encantar demais porque assumem uma região em perfeita sintonia na apresentação musical.

Recorro ao álbum Hudson, gravado com Jack DeJohnette, Larry Grenadier, John Medeski e John Scofield. Essa obra tem uma intensa atividade nos graves – muito característicos – e nos agudos. Ele me soa ainda mais neutro e espacial que o HE-6, mas com uma melhora na capacidade resolutiva, que impressiona e confere incrível poder de gerar uma paisagem musical realista e envolvente.

E o Stellaris só contribui na melhora desses resultados, que já são absurdamente bons. Ele cumpre magistralmente a tarefa de amplificá-lo e consegue extrair ainda mais refinamento. É na região dos agudos, outra vez, onde o Stellaris traz avanços, com uma suavidade ímpar, de forma muito interessante e sem prejuízos em outros pontos.

Focal Utopia:

Este fone da Focal é um divisor de águas e o resultado impressiona. Todas as vezes que retomo o contato com ele, o que mais fico impressionado é com o timbre dos instrumentos em comparação com os demais fones que pude ouvir até agora e, disso, o elevado grau de realidade que ele consegue transmitir na reprodução musical. Isso aliado ao Stellaris, que já é incrivelmente refinado e orgânico, torna a combinação nada menos que magnífica.

Esses três fones – HE-6, HE-1000v2 e Utopia – têm intensa atividade nos agudos, mas de maneira alguma chamaria isso de errado, embora possa, sim, incomodar. No entanto, nos três o Stellaris vem compor um resultado que é melhor que o do V281, mesmo que no detalhe.

A parte mais interessante desse valvulado, porém, é como ele consegue abrir a paisagem musical sem que isso incorra em uma apresentação etérea, até mesmo para fones já espacialmente bem resolvidos. Tanto com o HD800S como o HE-1000v2, ainda que em alguns momentos possam soar distantes, no Stellaris, o som fica mais amplo, mas ainda com corpo. Entretanto, onde esta dupla pode soar um pouco mais distante, é no HE-6 que sinto ele bailar em uma apresentação mais intimista, em um espaço bem resolvido, com excelente paisagem e foco musical associado ao Stellaris, que só potencializa essas qualidades.

No Utopia, porém, é onde sinto os maiores avanços. O fone já é magistral em apresentar as coisas muito focadas – instrumentos e vozes soam precisamente posicionados, dada a incrível capacidade resolutiva, mas tudo isso é muito próximo de você, como se o ouvinte estivesse na primeira fileira – que nem sempre é a melhor posição – “engolindo” todo aquele conteúdo. Às vezes pode soar agressivo. Seria como olhar de perto, por muito tempo, uma tela gigante e super amoled HDR+, grosseiramente falando.

No Stellaris isso fica um pouco menos acentuado e a música toma uma proporção de espaço maior e mais orgânica em relação ao Violectric V281, perceptível para aquilo que você mais gosta de ouvir.

Audiodream Somnium:

Como costumo dizer abertamente, só consigo usar IEM custom, dada a minha condição de pessoa com deficiência, portanto, por questões de acesso, IEM não é minha praia. Experiência mesmo com eles, só tive com o AD8 e agora o Somnium, os dois da Audiodream.

O Somnium possui uma sonoridade que tende para o neutro, mas consegue ser entusiasmante, pois graves, médios e agudos são de altíssima classe, sem exagerar nas altas, com um levíssimo acento nas baixas e a região dos médios verossímeis. O timbre dos instrumentos é muito real e o som é envolvente, com excelente resolução, velocidade e transparência, o que proporciona uma sonoridade muito texturizada e em camadas bastante táteis. Gosto demais desse fone.

Próximo do que é o AD8, o Somnium é muito revelador, ou seja, um bom fone para demonstrar as alterações de sistema – filtros do HQPlayer; Mscaler etc. E o Stellaris, para minha surpresa, pois acredito muito pouco que “tenha vindo ao mundo” para ser usado com IEM´s, casou bem com ele. Nada de ruído como a impedância de saída pudesse sugerir – 3 Ohms. E um som maior, com foco incrível, um pouco mais suave e polido que no V281. E não sinto que perco em nada na região dos agudos e em transparência, como imaginava pelo fato de ser um valvulado; e os graves continuam rápidos e os médios ficam ainda melhores.

Um extra, Susvara:

Pude ter um breve contato de 7 dias com este fone, um pouco antes de devolvê-lo para o dono, juntamente com o amplificador.

Nas primeiras audições, confesso não ter ficado impressionado logo de imediato. Estava com o Utopia, que me parece ter um timbre levemente melhor – é muito difícil falar sobre isso.

No entanto, passada a confusão natural de ouvir tantos fones e ter de focar na análise do amplificador, passei a ouvir com mais critério o Susvara e percebi sua grandeza. E ela reside no conjunto geral da obra, pois ele reúne as melhores características de cada um dos fones mencionados até aqui.

O Susvara tem apenas um único defeito sensível para mim: a extrema dificuldade de amplificar, que é similar ao HE-6, já que são 60 Ohms e 83 dB/mW de sensibilidade, 10 Ohms a mais e 0,5 db/mW menos sensível que a lenda. Portanto, é preciso somar o custo da amplificação a um fone que não é nada barato – nominalmente 6 mil dólares.

Fora isso, no V281, mas melhor ainda no Stellaris, percebi como ele é espacialmente bem resolvido e de forma mais acertada que um HD800, para gêneros onde este não me cativa. Tem um dos graves mais corretos que já pude ouvir, sem me parecer frio. É mais palpável e estratificado que o HE-6 e, do que me lembro, que LCD-4 e Empyrean. Os médios conseguem ser encantadores e líquidos, tal como o LCD-4 e Stax 007. Os agudos ainda me parecem acentuados, um típico Hifiman, mas estão melhor apresentados que no HE-6 e HE-1000v2, e mais bem resolvidos que no LCD-4, que é escuro em demasia perto destes. E o timbre, bem, está muito próximo do Utopia.

Todos os fones que mencionei são incríveis de modo geral, mas seria preciso (ironia) ter 6 fones para reunir o melhor de tudo em pontos específicos. Já com o Susvara (e Stellaris), não.

Voltemos, porém, para o Stellaris. Sim, ele é extremamente capaz de amplificar o real sucessor – ou deveria dizer upgrade do HE-6? – à revelia do que poderiam supor os exagerados por amplificação, uma vez que entrega “apenas” 1,8 W em 50 Ohms. Isso é bastante coisa em um projeto bem acertado como o dele.

Sei que há uma infinidade de amplificadores mais fortes e com o próprio V281 poderíamos supor um melhor desempenho com seus 4,2 W em 50 Ohms. No entanto, não me canso de conversar com hobbystas experientes que Watts (potência) somente não é suficiente pra explicar tudo sobre amplificação. E aqui já passaram exemplares que diziam ter o dobro da amplificação do Violectric e tocaram de modo inferior o HE-6, por exemplo. E amplificadores com menos força, mas com um resultado tão bom quanto, ou até melhor, como é o caso deste DNA com o Susvara e o HE-6.

Na prática, em projetos bem acertados, a diferença a mais de potência implica em girar menos o knob de volume ou ter maior margem para músicas com muita dinâmica. E em todos os casos, o Stellaris teve fôlego suficiente para soltar o Susvara em grande estilo, estabelecendo este fone como o melhor que pude ouvir, já que com o HE1, da Sennheiser, foram alguns minutos de audição, infelizmente.

CONCLUSÃO

Fui surpreendido, novamente, ao ouvir o Stellaris, pois embora pudesse supor que ele tocaria melhor que o Violectric V281, se fosse tomar por base as audições que tive com o Stratus, não acreditaria nisso. Estes me pareceram parelhos, ou uma questão de preferência, para não dizer que existe um lado racional que pende para o projeto alemão.

É óbvio que estou elogiando tanto o Violectric como o Stratus, sendo o ultimo base/referência quando se olha para o Stellaris. É gostoso descobrir paisagens para cima, como agora ao ouvi-lo, e isso me traz curiosidade em ouvir o Auris Headonia 2A3 ou o Nirvana, Woo Audio WA33 e, claro, amplificadores de estado sólido superiores, como o Niinbus US4+, o Headtrip II, da Wells Audio ou o Formula S, da XIAUDIO.

E como será que tocam os valvulados com as 300b? Enfim, isso motiva seguir conhecendo mais coisas no hobby.

Ler sobre esses equipamentos jamais substituirá o prazer que é ouvi-los e esse momento é grandioso, no melhor sentido possível. Fico feliz por essa oportunidade e por gostar de música, pois todas as formas de ouvir são legítimas. E o Stellaris foi a melhor experiencia musical que pude viver até aqui e o melhor amplificador com o qual já tive contato, sem dúvidas. É espantoso como ele consegue abrir a cena musical, mantendo o foco de cada instrumento e voz, deixando tudo no nível mais orgânico que já experimentei.

Nada disso vem, infelizmente, por um preço acessível, até pela própria natureza artesanal do produto, sempre com altíssima qualidade. Após 5 semanas com ele, fico motivado a desbravar esse caminho das válvulas, não com a mesma ânsia que fiz até chegar aonde estou hoje, mas é que sentirei falta dessa apresentação musical, algo que só posso agradecer com essa experiência.

O Stellaris é um amplificador lendário e perfeito para ser amado. Altamente recomendado para quem tenha orçamento e queira extrair um dos melhores desempenhos musicais, no maior estilo, podendo reproduzir qualquer música em qualquer fone.

Equipamentos associados:

  • PC Windows com Audirvana Plus, Roon e Foobar;
  • Chord Qutest (DAC);
  • Violectric V281 (amp SS);
  • DNA Stellaris (amp TOTL valvulado);
  • Chord Hugo TT2 (DAC e amp).
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