Audeze LCD-4

Introdução

Antes de começar essa revisão, seria interessante ler as análises das versões anteriores a esta, que falam da marca e da tecnologia dos planares, além, claro, de trazer informações que se conectam nesse texto, principalmente a análise do LCD-3.

Preciso agradecer ao Paulo Mário, mais uma vez, que já contribuiu muito para o site, cedendo produtos para o Leonardo e agora pra mim. Meu muito obrigado.

Cabe contar um pouco a história específica deste fone. O que se sabe é que, muito provavelmente, este foi o primeiro LCD-4 a ser vendido. Esta unidade saiu direto do laboratório e não da linha de produção. Era, portanto, originalmente a versão de 100 Ohms, problemática, e que teve os drivers substituídos em 2016. A madeira cocobolo não está mais disponível, porque entrou na lista de espécies protegidas. E o Paulo é 4º dono desta unidade.

Segue relato do primeiro dono:

“Hi there… I was the first person to order, and the website ordering didn’t work, so I contacted Audeze. Because it was just released and was their most premium product, I was actually contacted by Mark Cohen and Sankar to work with me on getting the order squared away. As a thanks for the trust being the earliest adopter and sorry for the trouble with ordering, they sent me the first pair, built by the engineering team and not the production line.”

Essa unidade acompanhou uma carta assinada pelos donos da Audeze e isso não é algo comum a todos os fones de maior valor da marca.

Fisicamente, Audeze

O padrão de uma experiência agradável quando se recebe o produto continua no LCD-4. A Audeze zela por uma apresentação caprichosa e funcional, com a case Pelican de viagem e espumas pré moldadas internamente, e externamente um material muito bom, bastante resistente e de boa qualidade. Agrada a quantidade de acessórios e informações sobre o fone, onde é possível obter os gráficos de resposta da sua unidade. Os manuais são bem acabados e assinados pelo CEO da marca, além de vir com os cabos XLR (4 pinos), P10 e adaptador P10 para P2. Porém, não acompanha mais o óleo especial para passar nas conchas de madeira, o que, segundo a marca, não é mais necessário pois elas recebem acabamento selante protetor UV, utilizado em móveis.

A construção do fone transmite solidez e qualidade. No lançamento do LCD-4, a marca passou a utilizar as suspension heads, que são significativamente melhores que o arco “simples” utilizado na linha 2 e 3 – e esse mecanismo passou a ser usado em toda a linha da Audez’e. Por outro lado, o efeito de suspensão não é realmente efetivo, mesmo nos modelos novos, pois a tira que apoia na cabeça é muito próxima do arco e não é incomum que o apoio esteja ocorrendo direto nele ao invés ocorrer na suspensão. Adaptações no sentido de encurtar a tira de couro são comuns de se achar no head-fi, mas isso é algo que já deveria ter sido resolvido pela empresa.

Desse problema, senti a maior deficiência do fone e de toda a linha LCD: o peso. Estou seguro em dizer que está exagerado. Alguns dirão que isso é inerente à tecnologia, mas temos visto movimentos em sentido contrário (peso), mantendo-se a tecnologia. Falo, sobretudo, dos Hifiman HE-1000se e Meze Empyrean, ambos com peso inferior a 500g, o que já é bastante, mas nem perto dos 600g deste fone. Para mim, nada justifica esse peso e a situação ainda piora com as soluções de ergonomia adotadas, que vão das heads mal elaboradas até a angulação das pads, que contribuem para a instabilidade na cabeça; com qualquer pequeno movimento o fone mexe e precisamos ajustar. A pressão na cabeça (clamping) já melhorou muito, também porque a densidade do material das almofadas melhoraram, mas nada supera as almofadas vegan, que estiveram disponíveis no LCD-2.

Outro problema de construção está em como as pads se conectam com os cups. Isso é feito por uma costura, ao invés de encaixes ou até mesmo de forma magnética (Meze Empyrean). O fato é que, quando essa costura rasga, é impossível colocar de volta sem algum tipo de adaptação não oficial – gambiarra – e é comum, portanto, ter as pads em excelente estado, mas não poder usar, pois não é mais possível uni-las ao cup. E foi justamente o que ocorreu aqui comigo.

A grade dos cups são de metal cromado na versão mais refinada da linha LCD, ao invés da solução em plástico na cor preta. Esteticamente elas me agradaram mais. E a madeira cocobolo, ainda que seja uma exceção a regra, colabora ainda mais pela beleza. É bonito mesmo na versão ébano (macassar), que é a tradicionalmente utilizada, e as duas me agradaram. É um fone muito bonito e está entre os mais belos. A estética é um cuidado essencial a uma marca que vende seus produtos a preços (bem) altos.

Por fim, embora tenha visto relatos que essa questão têm diminuído, a constante atualização dos produtos da marca, é, por um lado, bom; por outro, também pode ser ruim, sobretudo para países que não têm suporte direto da marca. Imagine você adquirir um produto em um ano e ele atualizar logo depois. E se tiver importado o fone? É verdade que a empresa costuma ser atenciosa com os clientes, mas para nós brasileiros, as coisas são bem mais complicadas, e ainda assim, é sempre chato ter de recorrer a esses serviços. Headphones são – ou deveriam ser – bens duráveis, na minha visão.

E o som?

A assinatura Audeze está aqui. Aquele som cheio e mais autoritário, permanece, mas com incrementos importantes: há maior correção nos graves, melhor resolução geral, principalmente nos agudos, e está mais refinado em todo o range de frequências. Isso o torna digno de estar entre os melhores hoje. Pude escrever sobre o LCD-2, em duas versões diferentes, e o LCD-3 2016. Entre este último e o LCD-4, as diferenças não me pareceram enormes, mas tendo-os lado a lado, pode ser que sejam mais significativas. Porém, percebi que a Audeze conseguiu avançar em pontos importantes de sonoridade em relação a versão imediatamente anterior.

A avaliação passou por três momentos claros para mim. O primeiro foi quando ouvi pela primeira vez, muito rapidamente e num ambiente péssimo: no encontro que ocorreu em São Paulo, no dia 26 de janeiro. Lá, ausentei-me da ânsia de ouvi-lo muito para que as pessoas ouvissem, já que ficaria com ele para avaliação; mas no pouco tempo que ouvi, confesso não ter impressionado-me. Alguns até acharam, no começo, o Hifiman HE-6 melhor.

O segundo momento foi em casa e se mistura com o terceiro, que foi quando comecei a ver os porquês dele ser tão aclamado. Isso com tempo, degustando música e disso, degustando a apresentação do fone.

Por fim, o terceiro momento foi quando troquei as pads, já que as originais estavam descolando dos cups, e outras pequenas impressões vieram. Substituí pelas Dekoni Elite Hybrid, que foram cedidas pelo proprietário do fone. Para a minha sorte, a sonoridade não mudou tanto quanto a mudança de pads deram novos ares ao Kuba Disco. Isso facilitou a compreensão e elas trouxeram correção – maior neutralidade na reprodução – e melhoraram a resolução. Há que se pontuar que essas pads, ao contrário das originais, que são de couro, utiliza veludo na parte que encosta na cabeça e as laterais são de couro.

Para falar de como ele toca música, começarei pela a principal característica de um fone, que é o equilíbrio tonal. Avalio que este não é o mais equilibrado tonalmente, ou neutro, já que há um recuo nos médio-altos e agudos. Entendo, porém, ser a proposta de som da marca para a linha LCD – menos pronunciada nas variações M, ou X – e pra mim, está clara o porque disso: a sonoridade é cheia e menos agressiva aos ouvidos, portanto, relaxada no melhor sentido. E aqui, assim como no LCD-3, mas ainda melhor, com boa dose de transparência, sem ser tão analítico com as mídias. É como se houvessem filtros, no bom sentido do uso deles, mas com maior detalhamento e resolução. Essa característica não me causou estranheza e arrisco dizer que essa é a interpretação do que chamaria de auge deste fone e o que torna sua apresentação extremamente doce e eufônica. Sabendo o que você busca, isso não é um problema, e pode ser a sua melhor escolha.

Coloque esses termos no melhor lugar da sua interpretação, dado que a resolução dele é incrível e o refinamento parece absoluto, ao menos até agora. Boas músicas, independentemente do gênero, se bem gravadas, guardam camadas que são reveladas de muitas formas. E no LCD-4, elas são reveladas da melhor forma que já pude ouvir dentro dessa assinatura. Diria que são caixas numa sala muito bem acertada. E a mudança das pads não alterou nada significativamente. As Dekoni corrigiram ainda mais a apresentação, o que me agradou.

Os graves são fortes numa medida que realmente empolgam e não querem chamar a atenção para si toda hora, quando não é isso que a master pede. Não é a neutralidade do HD800, onde algumas vezes podemos querer outra resposta para as baixas frequências. Aqui elas têm muita textura e impacto vigoroso. A extensão também é excelente. Felix Hell, nas faixas “Prelude” e “Fugue”, em Organ Sensation, vão mostram o que digo e até agora, só tinha visto o HE-6 descer tão bem até as últimas notas do órgão. Essa é uma obra para ser degustada com calma, assim como Jonas Nordwall, em Toccata of Widor’s Organ Symphony 5. Já em Best Of Jacintha, na música “California Dreaming”, o baixo está lá, extremamente texturizado e em belíssima posição; todos os outros instrumentos conseguem compor maravilhosamente, traduzindo qual é o som da casa Audeze. Está, certamente, entre os melhores graves que já ouvi.

Apesar do decaimento não ser extremamente rápido, ele é resultado para uma sonoridade cheia e relaxada. Todo o EP Big Boy, da Charlotte Cardin, que é naturalmente bastante puxado nos graves, podemos perceber a enorme naturalidade da parte mais brilhante da música, em especial os pratos da bateria. Impressiona como tudo isso está apresentado de modo tão vívido, mesmo os graves sendo, em alguns momentos, viscerais. As faixas Dirty Dirty e Les échardes, são capazes de mostrar essas proezas; e a faixa 05- Big Boy do EP, mostrará o poder do impacto nos graves.

Gêneros como EDM, Eletrônica, House, Lounge, Disco, etc, vão combinar com o Audeze, embora em raras exceções, e até para esses estilos, dada alguma artificialidade própria destes, a resposta de graves única que tem o HE-6, mesmo com menos textura e refinamento, me faz tão feliz quanto, se não mais em momentos precisos. O nível de empolgação ao ouvir no LCD-4 “Man Funk”, do Guts, em parceria com Leron Thomas, bem como Hip Hop After All, é bastante alto, sem dúvidas.

É nos médios, porém, que encontro o ponto mais alto do fone. E vem desde a primeira vez que ouvi o LCD-3, quando fiquei embasbacado com tamanha resolução, textura e alto grau de realismo. Esperava as mesmas coisas aqui. Acontece que nas músicas certas, aquelas que a gente conhece mais, ou passa a ouvir mais frequentemente, senti avanços. É certo que o set, hoje, está à altura deste fone, mas na época que ouvi o LCD-3, também estava no nível dele. E mais certo que tudo isso, para as duas ocasiões, é que as músicas sempre tiveram digno trabalho de curadoria.

Tonalmente ele é equilibrado, bastante linear e há um misto de doçura e presença muito boas. Está na medida certa. Novamente acho que a apresentação tem outro foco aqui, menos frontal, sobretudo nas faixas altas dos médios, onde há menos presença, mas existe muita naturalidade no conjunto e não sinto que chega a ser uma apresentação escura. É uma questão de referencial, porém. Trompete, viola, violão, guitarra e piano, gosto demais como é a apresentação destes; chimbal, a depender da composição musical, pode ser que esteja menos presente que o desejado, inclusive porque este entra fortemente nos agudos, e falarei deles mais adiante.

Ouvir o violão clássico e o alaúde de Julian Bream – responsável por resgatar tal instrumento nas músicas eruditas -, nos álbuns “J.S. Bache” e The Essential Julian Breamé, é simplesmente o auge de tudo que já ouvi até aqui. A renderização destes é muito verossímil e os dedilhados do Bream, ficam encantadores. Pra mim, faz parte de toda a experiência e envolvimento musical.

A renderização dos timbres das vozes é muito realista e merece uma fala especial. Existe algo muito intimista na apresentação, que te coloca muito em sintonia com os artistas de modo geral. Joss Stone, Diana Krall, Charlotte Cardin, Jacintha, Barb Jungr, seja com John McDaniel ou Michael Parker, cantam, todos, com muita emoção e alto grau de naturalidade. O LCD-4 consegue mostrar toda a potência da voz do Kamasi Washington, bem como toca incrivelmente e de forma muito real, toda a força da voz de Josyara, no álbum bastante expressivo, denominado “Mansa Fúria”. Por fim, consegue resolver com competência o timbre de voz de Iara Rennó, em “Flecha” ou “Iaiá e os Erês”.

O ponto baixo do fone, no entanto, está nos agudos, mas veja, eles são melhores que toda a linha LCD, e, ao mesmo tempo, contribuem para a assinatura, que é oposta, por exemplo, ao Sennheiser HD800, HE-6, Clear e Utopia, que são todos mais frontais nessa região. Acaba que, em certos estilos, como metal e prog, que são muito elaborados e ricos em detalhes, há uma certa suavização na apresentação. Enquanto há um tremendo peso na guitarra e bumbo de bateria, os pratos estão mais atrás. Ouvindo Dave Martone, no álbum Clean, eu gostaria de um pouco mais dessa frontalidade; e em Liquid Tension Experement, também. Tanto o primeiro trabalho, 1998, como o segundo, 1999.

Por outro lado, como disse, é a assinatura pretendida. Mesmo nessas músicas, sinto que passaria horas ouvindo apenas… música – não fosse o desconforto. E para ouvir clássica, jazz, soul e blues, sons totalmente diferentes entre si, essa apresentação é um deleite. Na versão mais aprimorada da linha LCD, essa distorção na apresentação dos agudos, não existe mais, e passa a fazer parte da personalidade dele. Eles estão mais reais, com melhor resolução e tem maior presença e peso. Diria, até, que estão mais neutros e compõem muito bem dentro da proposta, ficando significativamente a frente da linha 2 e avançando sobre o LCD-3.

Por último, achei muito bom questões como espacialidade e palco. Surpreendeu-me como ele projeta os instrumentos ao redor da sua cabeça e como, também, consegue centralizar e/ou distribuir a(s) voz(es), e distribuir os instrumentos na esquerda e na direita. Parece-me inferior ao HD800, ainda assim; mas talvez seja uma diferença pouca relevante. O que importa, mesmo, é que ainda não senti a real projeção disso na minha frente, como senti com o AKG K1000 ou caixas. Essas separações parecem ocorrer dentro da cabeça, ou ao redor, mas próximas a ela. E estas sensações parecem ligadas a extremada capacidade resolutiva dele. O recorte das posições de cada coisa, aliado a clareza com que cada uma delas é apresentada, e o alto grau de realismo, realmente impressionam.

Conclusão

Estamos falando do fone mais sofisticado da marca, junto do LCD-4z, onde todo o desenvolvimento tecnológico está empregado pela máxima performance musical. E isso é bastante difícil de descrever em palavras. Prefiro não relativizar ou firmar posição sobre o preço de 4 mil dólares no site oficial. Abstenho-me dizendo que há alguns exageros.

Existem críticas? Sim. E se atêm, novamente, para elementos construtivos já batidos a linha LCD, como detalhes das soluções construtivas, o padrão de qualidade do projeto e, sobretudo, o elevado peso. Está exagerado, mesmo com as suspension heads. Logo, fique atento a postura quando em uso no computador, onde é comum executarmos mais de uma tarefa, e o pescoço ficar em posição inadequada.

No entanto, parece ser outra a proposta da marca com ele: ligue o sistema da sala e recoste-se no sofá ou numa poltrona; posicione a cabeça e ouça música da forma mais confortável que isso for para você. E no ponto mais importante de um fone, e de qualquer sistema, que é como ele reproduz músicas, este Audeze, ao contrário de alguns que jogam a música na cara do ouvinte, ainda que com alto grau de refinamento, ele a coloca educadamente, de forma muito doce e relaxada.

É, de fato, uma sonoridade cheia e voluptuosa, que avança significativamente sobre os outros que já ouvi até aqui, qualitativamente falando. Não vejo defeito algum em sua sonoridade, mesmo com os leves recesso nas faixas de frequência, já mencionado, pois é justamente isso que lhe confere volúpia musical – desculpe esta metáfora necessária. Bem sei que há prazeres em outras assinaturas, e é justamente onde me encontro hoje, mas ao relaxar para ouvir música, tudo o que se quiser, encontra-se com este fone.

 

Entre outros, cantaram:

  • Red Hot Chili Peppers – The Uplift Mofo Party Plan – (16/44);
  • Primus – Sailing the Seas of Cheese – (24/96);
  • Sun Ra – Jazz In Silhouette – (16/44);
  • Charles Mingus – Tijuana Moods – (DSD64);
  • Kamasi Washington – Heaven and Earth – (16/44);
  • Engenheiros do Hawaii – Acústico Ao Vivo – (Tidal);
  • Avantasia – Moonglow – (Spotify);
  • Mastodon – Crack the Skye – (16/44);
  • Death – The Sound of Perserverance – Reissue – (Spotify);
  • Daft Punk – Random Access Memories – (DSD128);
  • Pink Floyd – The Dark Side Of The Moon – (16/44);
  • Michael Jackson – Thriller – (16/44);
  • 311 – Music, Grassroots e Mosaic –(mp3 320kbps);
  • Guts – Hip Hop After All – (mp3 320kbps);
  • Angélica Duarte – Odara – (Tidal);
  • Badi Assad – Verde – (Tidal);
  • Imelda May – Love Tattoo – (Tidal)
  • Zamajobe – Ndawo Yami – “Ye Wena Sani” – (Tidal);
  • Zamajobe – Ndawo Yami – “Ye Wena Sani” – (Tidal);
  • Charlotte Cardin – Big Boy EP – (16/44);
  • Luedji Luna – Um Corpo no Mundo – “Banho de Folhas” – (Spotify);
  • Felix Hell – Organ Sensation – “Prelude” e “Fugue” – (Tidal);
  • Jonas Nordwall – Widor – (24/88);
  • Julian Bream – The Essential Julian Bream – (24/44) e J.S. Bach – (16/44);
  • Julian Bream & John Williams – Julian And John – (24/96).
  • Julian Bream – Rodrigo, Britten, Vivaldi – (24/192);
  • Royal Flemish Philharmonic – Ludwig van Beethoven: Symphony No.9 in D minor – (DSD64)

Equipamentos Associados:

  • Samsung Galaxy S9+ e UAPP;
  • PC Windows e Audirvana Plus;
  • Denafrips Pontus;
  • Chord Hugo (DAC e Amp);
  • Chord Mojo (DAC);
  • Violectric V281 (amp);
  • iFi Pro iCAN (amp).

 

0 Comments
3