Capítulo IV – O surgimento da Kuba

Índice da Série Passei 3 Anos da Minha Vida Desenvolvendo um Fone


Capítulo IV: O Surgimento da Kuba

PESQUISA: Antes de começar, uma pergunta. Vocês têm gostado do ritmo e do nível de detalhes que estou dando? Ou acham que eu deveria pormenorizar menos e focar nas partes mais críticas e interessantes? Vou adorar saber nos comentários!

No último capítulo, falei sobre meu projeto final. Hoje, vou contar como ele acabou sendo responsável por um contato que foi imprescindível para a criação da Kuba.

O curso de Design da minha faculdade, a PUC-RJ, é bastante renomado no Rio de Janeiro. E, todos os anos, há uma exposição dos melhores projetos de alunos. Um protótipo do Volna, meu projeto final, sobre o qual falei em meu último post, foi exposto por lá.

Eis que, um dia, recebo uma ligação de um tal de Cadu, que estava, aparentemente, querendo começar uma empresa de fones de ouvido e precisava consultar um especialista. Ele acabou chegando até mim por ter visto meu projeto exposto. Nesta época, minha ideia após formado era abrir um escritório de design – tanto por gostar disso quanto, infelizmente, por não ver tantas opções no mercado de trabalho. Foi neste momento que me juntei à Duda e ao Dan, meus amigos de faculdade, para montar esse escritório.

Conversei com o Cadu e seu sócio na época, ambos estudantes de administração. Eles faziam parte de uma empresa que desenvolvia relógios de madeira e, observando a franca expansão no mercado de fones de ouvido dos últimos anos, estavam certos de que ali haveria oportunidades. Nos demos muito bem, e a ideia inicial era que fornecêssemos, por meio de nosso futuro escritório de design, o projeto de um fone para a empresa deles. Nas semanas seguintes, fomos tendo encontros para conversar sobre como seria esse projeto – pesquisas, oportunidades identificadas, objetivos…

Pouco tempo depois, porém, fui fazer um curso de empreendedorismo nos Estados Unidos – mais especificamente, no MIT. Foi um curso que mudou minha perspectiva sobre o mercado e o que queria em minha vida profissional. Vi que boa parte do conhecimento que adquiri sobre design é muito, muito semelhante ao do empreendedorismo. De certa forma, ambos fazem a mesma coisa, mas sob óticas diferentes.

Voltei ao Brasil convencido de que não queria fazer apenas um escritório de design. Voltei acreditando que éramos capazes de criar uma start-up cujo primeiro produto seria este fone de ouvido. É um objetivo totalmente diferente: um escritório de design fundamentalmente fornece um serviço para outras empresas – ou, se cria produtos próprios, geralmente é com uma pegada mais artesanal. A barreira de entrada é baixa, afinal, basta termos nossos conhecimentos e nossos computadores que já conseguimos desenvolver produtos para outras empresas. Em compensação, o teto é muito mais baixo. Quantos escritórios de design existem no Rio de Janeiro? Apostaria em dezenas ou até centenas. Por melhores que fôssemos, seríamos mais um entre muitos.

Já as start-ups são empresas, geralmente de tecnologia, com produtos inovadores e disruptivos e que apresentam crescimento extremamente acelerado. Normalmente é necessário um investimento inicial muito maior, frequentemente com investidores externos. É muito, muito mais difícil dar certo (9 em cada 10 start-ups morrem antes dos 3 anos de idade), então o risco é infinitamente maior – mas, se der certo, elas têm o potencial de se tornarem realmente gigantescas. Facebook, Uber, AirBnB, Dropbox, Snapchat… todas foram start-ups que, em muito pouco tempo, já valiam bilhões de dólares.

Por mais que um escritório de design possa funcionar (e tem muito mais chances de funcionar do que uma start-up), seu potencial é infinitamente menor. Tanto que você provavelmente não conseguirá, de cabeça, nomear 3 escritórios de design. E, se conseguir, aposto que ele não terá 1/10 do tamanho de grandes start-ups.

Então, aproveitando que o sócio do Cadu havia desistido do negócio, tomamos uma decisão: iríamos nos juntar, na cara e na coragem, para criar uma start-up de equipamentos de som. Uma que traria produtos realmente diferentes em um mercado frio e com poucas opções.

E foi assim que nasceu a empresa que veio a se chamar Kuba.

16 Comments
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  • Leandro Romano

    Leo, excelente post! Respondendo a sua pesquisa: Acho que está tudo bem dessa maneira. Não faria nenhuma alteração.
    Aproveitando, meu Grado SR80e e os KZ ZST e ATE chegaram! Todos excelentes! Obrigado pelas dicas! 🙂

    • Maravilha, Leandro! E que bom que vc está satisfeito com eles! 🙂

  • Messias Vieira

    Um belo post. Parabéns e sucesso.

  • Gatanas Hilderjackson

    Gosto do jeito que está sendo escrito os detalhes dessa jornada, continue assim!

  • Erick Biagioni

    Espero que realmente dê certo, pela experiência de vocês a chance de sucesso é muito alta. Em breve irei adquirir um fone de vocês! Obrigado por existirem audiófilos!

  • Lidson Mendes

    Léo vai ter outro capítulo da Saga? Tá realmente muito maneiro saber sobre a Kuba.

  • Matheus S. Bueno

    Leonardo,

    Gosto dessa série, suas histórias/vivências dividida em capítulos. Elas não estão excessivamente longas; estão, pra mim, na medida. Seu modo de escrever ajuda. É agradável. Parabéns. Aliás, quando fiz Arquitetura e Urbanismo, certa vez me disseram que escrever é – ou deveria ser – uma virtude do Arquiteto. Estendo o entendimento ao Design, e vou além, a todas as pessoas escrever é de suma importância.

    Se cabe um pedido, para enriquecer ainda mais o conteúdo das histórias, gostaria de saber um pouco mais como as musicas passam pela sua cabeça no processo de análise dos fones; e agora quando da escolha dos materiais – falando de um modo amplo – para a construção de um modelo (Disco) para a marca Kuba.

    Abraço.

    • Muito obrigado, Matheus! 🙂

      Essa parte vai chegar! Em breve vou começar a falar sobre o desenvolvimento do fone mesmo.

      Abraço!

  • Oscar Leite

    Menino compente. Posts sempre bem elaborados. Particularmente, eu sempre necessitarei de profusão em detalhes sórdidos. Mas isso é o que EU acho. Até porque eu nunca, até o presente, li bobagem alguma sua. Continue seu brilhante trabalho, por favor.

  • Hudson Moraes

    Gosto do nível de detalhe. Só gostaria que os posts fossem mais longos (não pelo nível de detalhe, mas pela abrangência). Ou então que os capítulos fossem mais frequentes, postados a intervalos menores. Essa história está muito lenta para quem está gostando de acompanhá-la.