LZ-a4

INTRODUÇÃO

Como comentei no último vídeo publicado, o AMA, acredito que a vida das fabricantes tradicionais de intra-auriculares está cada vez mais difícil. A todo momento, surgem novas marcas, principalmente provenientes da China, oferecendo diferentes atributos – e, crucialmente, a preços mais baixos que os praticados pelas marcas americanas e europeias em produtos equivalentes.

Algo que está se tornando mais comum é a possibilidade de modificar a assinatura dos fones por meio de filtros – o Shure SE846 foi o primeiro intra-auricular que testei com essa funcionalidade. Desde então, vi diversas outras opções surgirem. Uma delas é o IEM que tenho para avaliação aqui: o LZ-a4.

LZ é uma sigla para Lao Zhong, um entusiasta chinês que fez sua vida consertando equipamentos eletrônicos, depois construindo caixas de som e, nos últimos anos, se dedicou à construção de intra-auriculares. O a4 é sua criação mais famosa. Ele custa US$195,00 e é um in-ear híbrido, contando com duas armaduras balanceadas para médios e agudos e um falante dinâmico para os graves. Além disso, há um sistema de filtros que permite que tanto os frontais quanto os traseiros sejam trocados.

 

ASPECTOS FÍSICOS

O LZ-a4 não é o fone mais bonito do mundo, mas é certamente muito bem construído. Seu corpo principal é feito de metal, e ao redor dele há uma peça de plástico que é por onde o cabo removível, com o conector MMCX, é encaixado. Esse cabo, aliás, é trançado e de ótima qualidade.

Em termos de conforto, ele não é dos melhores… apesar de 11 pares de ponteiras estarem inclusos no pacote, foi um pouco difícil não só encaixá-las no fone (o bocal parece muito largo), mas também conseguir uma que me desse uma boa combinação de isolamento e conforto, e ainda assim não fiquei totalmente satisfeito com o resultado. Até mesmo o Dunu DN-2000, que costuma ser criticado, para mim é muito melhor – e o Xtreme ONE está em outro patamar, principalmente com as Comply.

Por falar em pacote, ele é bastante farto. Além das ponteiras já mencionadas, há uma caixinha rígida de nylon para transporte, uma menor, de metal, com os filtros e o manual. Manuais geralmente não são tão necessários para fones de ouvido, mas aqui achei que ele foi uma boa adição para explicar o sistema de filtros.

Não que ele seja tão bem explicado: não fica claro se os filtros fornecem um boost nas frequências informadas ou um corte acima ou abaixo delas. Ouvindo o a4, creio ser a segunda opção. De qualquer maneira, ele serve para entender o que, ao menos para Lao Zhong, é a resposta neutra e inalterada do a4, e de que maneira as outras a alteram.

Esse sistema, porém, é relativamente bem projetado. Na parte da frente, há um pequeno filtro que atua como o bocal de saída do fone, e atrás um mas largo que provavelmente regula a pressão traseira (back pressure) do falante. Minha única preocupação aqui, além obviamente da facilidade de perder esses filtros tão pequenos, é que há um pequeno anel de borracha neles, para que haja vedação total – e em algumas situações, durante esse teste, vi essa borrachinha estar um pouco desencaixada. Se cair, não vai ser nada fácil encontrá-la novamente.

 

O SOM

De acordo com o manual, a combinação do filtro traseiro vermelho com o frontal azul é o que fornece uma resposta de frequência sem cortes: de 10Hz a 35kHz. Com essa configuração, o LZ-a4 apresenta uma sonoridade muito interessante.

Ele me parece relativamente equilibrado – é um pouco como um Xtreme ONE com esteróides: ele é levemente focado nos médios, de uma maneira que considero natural, mas há uma quantidade consideravelmente maior de graves, e os agudos são mais lineares, têm melhor timbre e parecem abranger uma faixa mais extensa.

Vamos começar pelos graves: em termo de quantidade, talvez eles estejam um pouco além do que vejo como neutro, mas de maneira alguma de forma exagerada. Em termos de presença, gosto muito do que ouço com essa combinação de filtros na vasta maioria dos gêneros musicais. Entretanto, sinto que falta um pouco de detalhamento e textura aqui – os graves me parecem ligeiramente indefinidos e ocos, principalmente quando o comparo ao Dunu DN-2000. Não estou falando de nenhum problema gritante, apenas de uma característica que gostaria que fosse um pouco diferente.

E é aí que a beleza dos filtros começa a aparecer: quando troco para o filtro traseiro preto, a quantidade de graves parece ser ligeiramente reduzida e, crucialmente, se torna mais limpa e menos congestionada. A textura e o detalhamento dos quais sentia falta começam a aparecer, o que fica muito evidente com o baixo de Anthony Jackson na Voice, da Hiromi Uehara. Porém, como seus médios são mais para a frente, em alguns casos, como em rocks mais pesados, gostaria que houvesse uma pitada a mais de graves – consequentemente, trata-se de uma questão de escolha. Mas, ao contrário do que ocorre com a grande maioria dos fones do mercado, há escolha. E com o filtro azul, sua resposta torna-se ainda mais limpa, mas essa relação entre os médios e graves acaba se prejudicando um pouco. Para gêneros acústicos, não é problema. Mas para aqueles em que há mais atividade nas baixas frequências, o filtro preto é o que me fornece o que vejo como um maior equilíbrio, ao menos com o filtro frontal azul.

Nos médios, o LZ-a4 mostra um ótimo desempenho. Com o filtro azul, talvez eles não sejam o maior exemplo de naturalidade nessa região – o DN-2000 deixa isso claro, apesar de apresentar os médios mais recuados, porque sua sonoridade me parece mais orgânica, de certa forma. É como se houvesse algumas pequenas colorações aqui e ali em relação à minha visão de naturalidade absoluta. No entanto, sei que muitos podem preferir mais vida nas vozes, guitarras e outros instrumentos focados nas médias frequências, e para eles o a4 certamente será mais interessante. Esse, aliás, costuma ser o caso para mim, mas aqui encontrei uma exceção.

E apesar de o LZ não ser tão espacial quanto o Dunu, ele certamente não decepciona nessa área. Sua sonoridade é decididamente grande, e isso fica muito evidente quando o comparo ao Xtreme ONE, que soa pálido e sem vida numa comparação direta.

Os agudos, por sua vez, são exemplares: o timbre é excelente e a extensão é ótima, assim como o detalhamento. Não o considero um fone brilhante demais – o DN-2000 certamente é mais vivo nessa região – e nem escuro demais. Sinceramente, não tenho nenhuma crítica aos agudos do LZ-a4. Eles são simplesmente ideais. Até existem situações em que pode ser interessante ter uma redução de atividade nessa área, como na My Sacrifice do Creed, porém a meu ver isso se dá por um “problema” na gravação, e não por uma falha nesse in-ear.

E, mais uma vez, volto a falar da proeza do sistema de filtros. Ao trocar para qualquer um dos outros, ganho justamente essa redução desejável não só nos agudos, mas também nos médios, que se tornam mais calmos e lineares. Isso ocorre gradualmente com cada filtro: o rosa apresenta o maior corte, e pode ser muito interessante para os mais sensíveis a agudos ou para gravações em que essa região está desequilibrada – como a Walk on the Wild Side, do Lou Reed ou até mesmo o álbum Celebration Day do Led Zeppelin.

Na maioria dos casos, o que mais gostei, por trazer o que vejo como maior equilíbrio, foi o par de filtros frontais vermelhos – e o que menos gostei foi o par de verdes que, curiosamente, acentuam ainda mais os médios. E uma questão interessante é que, com esses filtros vermelhos, muitas vezes acabo preferindo os filtros traseiros azuis, porque essa menor atividade na região média faz com que minha percepção dos graves mude um pouco. Talvez essa seja a combinação em que vejo a resposta mais neutra e equilibrada no a4.

Também gosto muito da versão mais “restrita” desse in-ear, ou seja, o filtro traseiro azul aliado ao frontal rosa. É uma outra personalidade, mais calma e serena, que compõe uma apresentação mais confortável.

 

CONCLUSÕES

O LZ-a4 é não só mais um exemplo de que os chineses não estão para brincadeira, como também do que é possível com um sistema de filtros muito bem implementado.

Gostei muito do que esse in-ear proporciona em termos sonoros. Sua assinatura é sempre muito interessante mas, dependendo da combinação utilizada de filtros, pode se tornar excepcional. É sem dúvida alguma um fone extremamente versátil e que se encaixa muito bem com qualquer gênero musical que ouço.

Ao mesmo tempo, acho que fisicamente existem alguns problemas – eu, pessoalmente, tive dificuldades em conseguir um bom encaixe nos ouvidos, o que prejudica a experiência. Felizmente, porém, suas proezas sonoras são suficientes para compensar esse contratempo.

Por tudo isso, o LZ-a4 é um fone que tenho prazer em recomendar.

 

LZ-a4 – US$195,00

  • IEM híbrido: duas armaduras balanceadas para médios/agudos, driver dinâmico para graves
  • Sensibilidade (1 mW): 120dB SPL/mW
  • Impedância (1kHz): 16Ω
  • Resposta de Frequências: 20Hz-28kHz

 

Equipamentos Associados:

MacBook Pro, Benchmark DAC1 PRE, Samsung Galaxy S7 Edge

6 Comments
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  • Danilo Santos Pereira

    Muito bom o tópico, já tinha escutado de alguns amigos sobre ele e agora com sua analise já fica mais que confirmado que é uma boa opção.

  • Luiz Felipe

    Leonardo, esse Lz a4 é superior ao Dunu Titan 5?

    • Luiz, depende… acho que muitos vão achar, mas outros não. É difícil dizer, até porque não comparei os dois lado a lado.

  • Paulindss

    Se eu quiser sair de uma experiência de Budget para mid/hi-fi os Lz fazem frente ao Duno DN-2000 ? Vc considera os diferentes filtros um bônus suficientemente interessante, para algúem que está começando a explorar e conhecer a assinatura preferida ?

    • Paulindss, prefiro o DN-2000, mas um outro fone que dizem ser ainda melhor e traz os filtros é o FCL8S.

      Acho sim que os filtros podem ser uma maneira interessante de entender um pouco melhor sobre como pequenas alterações na resposta de frequência afetam a sonoridade de um fone e como se encaixam em suas preferências, mas acho que ainda não é a mesma coisa que testar dois fones diferentes, por exemplo.