Capítulo II – Minha entrada na audiofilia

Índice da Série Passei 3 Anos da Minha Vida Desenvolvendo um Fone


Capítulo II: Minha Entrada na Audiofilia

Bom, antes de chegar no nascimento da start-up, acho que seria interessante falar um pouco sobre quem vos escreve!

Meu nome é Leonardo Drummond, tenho 26 anos e nasci no Rio de Janeiro. Sempre cultivei uma relação muito forte com a música, principalmente por causa do meu pai, que compartilha dessa mesma paixão. Inclusive, lá para a década de 70, ele tinha uma coluna no Jornal O Globo em que falava sobre música, avaliando novos lançamentos. Havia um móvel enorme em minha casa, cheio de vinis raríssimos e, acreditem ou não, ele jogou tudo fora…

Meu primeiro mp3 player

Quando nasci, meu pai já estava profissionalmente focado em outras coisas, mas nunca parou de ouvir música o tempo todo – então, no berço, eu sempre ouvia música clássica. O resultado é que eu e ele sempre dividimos experiências com a música – descobrindo novos artistas, procurando gravações melhores, ouvindo nossas peças favoritas juntos… por exemplo, até hoje estamos em busca da gravação perfeita do Poema do Êxtase, do Scriabin.

Quando era novo, meus pais se separaram e, durante algum tempo, morei com a minha mãe. Na casa dela, de manhã, antes de irmos para a escola, eu e minha irmã praticamente não víamos TV – ouvíamos música. Um dia eu ficava no comando do som da sala, no outro ela. Num determinado momento, ganhei um Discman e comecei a ouvir música fora de casa também. Aliás, lembro de pegar emprestado o fone do Discman da minha mãe, porque eu achava melhor do que o que veio com o meu!

Algum tempo depois, surgiam os primeiros iPods. Como era muito caro, ganhei um mp3 player da Nike, com incríveis 256Mb de memória! Um tempo depois, um amigo veio dos Estados Unidos e trouxe de presente um iPod Mini azul. Mas eu não gostava do fone que veio com ele, então continuei usando o do tocador da Nike.

Shure SE530

O tempo foi passando. Tive outros iPods, e frequentemente comprava fones em viagens, mas eram fones relativamente simples e eu sempre achava que faltava alguma coisa. Meu primeiro fone um pouco mais sofisticado foi um Bang & Olufsen A8, que comprei num vôo, e por um bom tempo fiquei muito satisfeito com ele, até que comecei a sentir uma carência de graves. Depois tive um Bose IE, mas aos poucos também fui querendo fazer um upgrade. Pesquisei, pesquisei, e cheguei ao Ultimate Ears super.fi 3 Studio, que era um fone relativamente barato e muito bem avaliado. Nessa época, eu já morava na Inglaterra, onde fui fazer o ensino médio, e consegui o Ultimate Ears com muita facilidade. Mas me lembro que não gostei desse fone, porque achei que faltavam graves, então deixei ele de lado e continuei usando meu Bose. Pouco tempo depois, no freeshop do aeroporto, quis tentar de novo achar algo para substituir o IE, e o Denon AH-C551 atiçou minha curiosidade – mas, infelizmente, também não gostei dele… era excessivamente em V.

No final das contas, vi que provavelmente não iria achar algo realmente bom exceto se investisse uma quantia maior. Essa, aliás, talvez seja uma das maiores mudanças que já vi no hobby – não é mais necessário gastar fortunas para se ter uma sonoridade excelente. De qualquer forma, em todos esses testes, eu acabei gastando mais do que se tivesse dado apenas um tiro mais certeiro. Então, quando fiz 18 anos, pedi de presente a possibilidade de comprar um fone realmente sofisticado que, após muitas pesquisas, veio a ser o Shure SE530, que era o queridinho do momento. Me lembro de, ao testá-lo, finalmente pensar “é isso!”. Fiquei extasiado com o que ouvia daquele in-ear.

Primeira versão do meu rack

Em pouco tempo eu voltaria para o Brasil, e minha família ia se mudar para um outro bairro. Mas meu pai, apesar de gostar muito de música, nunca teve a paciência para de fato ler sobre a parte técnica para montar um sistema decente. Então, em nosso apartamento antigo tínhamos apenas um home theatre com um receiver da Panasonic e caixas antigas da Bose, que ele havia comprado há muito tempo. E eu, em meu quarto, tinha um sistema Frankenstein que usava um receiver antigo da Sony e 10 caixas de som organizadas da maneira mais bizarra possível. Porém, como nessa época eu estava pesquisando bastante sobre sistemas de som, por causa do meu crescente interesse em fones de ouvido, sugeri que, no apartamento novo, montássemos sistemas devidamente montados. Acabamos montando um para o quarto dele, outro para o meu, e um para a sala.

Voltando aos fones: em pouco tempo o bichinho do upgrade me picou novamente… no final da minha estadia na Inglaterra, o Sennheiser IE8 foi lançado, e as avaliações eram muito positivas. Eu estava com um dinheiro sobrando, e acabei comprando esse fone. Foi também nessa época que descobri a comunidade Fones de Ouvido High-End no orkut – e, um dia, estava lendo uma discussão justamente sobre esses dois concorrentes. Ao dar minha opinião, os outros membros me pediram para fazer um comparativo, já que eu tinha ambos os fones. Foi aí que fiz meu primeiro review.

Dali Concept 2 e Cambridge DacMagic, do meu primeiro sistema

Com o tempo, entrando mais a fundo no hobby, fui querendo testar outras coisas. Quis saber como era o tão falado palco sonoro de headphones full-size, o que de fato fazia um amplificador de fones, qual era o efeito das válvulas, e por aí vai. Comprei um Little Dot MKIII, para usar com o Cambridge Audio DacMagic que eu já tinha para o sistema de caixas, depois AKG K701, Grado SR80i, AKG K1000, JH Audio JH13Pro… entrei no caminho sem volta que todos vocês já conhecem. Fui comprando e testando cada vez mais equipamentos, dos mais diversos tipos e preços e, aos poucos, a comunidade no orkut se tornou um espaço pequeno. Nessa época, tive a ideia de fazer um blog onde poderia concentrar as minhas avaliações, que nunca pararam de vir. Foi aí que nasceu o MIND THE HEADPHONE, que começou a crescer cada vez mais – tanto com avaliações de equipamentos que eu tinha e comprava, quanto de outros colegas audiófilos que passaram a me enviar equipamentos para eu testar.

No próximo capítulo, vou falar sobre como comecei a flertar com a ideia de transformar essa paixão em minha profissão.

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