Capítulo I – Introdução

Pensei muito antes de decidir escrever essa série – fiquei, de certa forma, numa saia justa. Explico: áudio é um hobby para mim. Gosto de testar equipamentos, de ler sobre eles e também de escrever – avaliações, textos explicativos, enfim… tenho prazer em fazer isso, e não ganho dinheiro com o site. Durante algum tempo, o máximo que consegui foi cobrir meus custos. Hoje, nem isso. Mas mantenho o MIND THE HEADPHONE porque gosto.

Só que, desde 2014, fones de ouvido passaram também a ser, de certa forma, minha profissão. Junto com três amigos e sócios, criei uma start-up: uma marca de equipamentos de som que tem, como primeiro produto, justamente um fone de ouvido – a Kuba.

E é aí que a história complica. Tenho mantido os dois trabalhos totalmente separados – nunca falei em nenhum grupo de áudio sobre a Kuba mas, ao mesmo tempo, conforme a empresa vai dando seus primeiros passos, é inevitável que meu envolvimento venha sendo descoberto. Já vi compartilharem, em alguns grupos, o site da marca – e amigos que sabem que é uma start-up com a qual estou envolvido comentarem sobre meu envolvimento. Nunca comentei ou entrei em detalhes. Já me pediram, também, que eu avaliasse o fone. Entretanto, evidentemente, não posso fazer isso.

Antes de ser empreendedor, sou um apaixonado por música e equipamentos de som. Vou continuar usando meu amado BeoPlay H6 na rua, a ir a encontros e, crucialmente, a testar equipamentos da mesma forma como sempre fiz. Relatando o que há de bom e o que há de ruim em cada um. Basta olhar todas as minhas avaliações desde o final de 2014 para ter a prova de que nada mudou.

Por isso, o ideal seria nunca me pronunciar aqui sobre a Kuba, e simplesmente me abster de comentar quando falarem sobre o assunto em algum grupo de hobbistas, ou até mesmo diretamente comigo, ao menos que seja em algum ambiente que não seja exclusivamente da marca. Isso tudo não por não achar que eu possa ser imparcial – tenho total certeza de que, se falasse sobre o fone, seria absolutamente sincero. Não existe equipamento perfeito, sei muito bem para quem ele foi projetado, quais são as suas qualidades e seus defeitos. Acho, inclusive, que seria até mais crítico do que o normal por saber que é um trabalho meu – tenho ciência dos pontos em que gostaria de ter chegado numa solução melhor, mas não pude por questões de custos ou de dificuldades projetuais, e sei também as áreas em que fico feliz com o meu trabalho. Sou designer – e nós geralmente somos bastante críticos e perfeccionistas.

Entretanto, se eu mantivesse essa postura crítica, estaria privando você, leitor, de um insight ao qual provavelmente nunca teria acesso: eu, Leonardo, apaixonado por música, fones e áudio, passei os últimos 3 anos da minha vida desenvolvendo um fone de ouvido do zero. Passei por muita coisa. Aprendi muita coisa. Como de fato se desenvolve um fone. As possibilidades, os sucessos, os percalços… entrei de cabeça num mundo hostil. É uma jornada árdua, mas muito gratificante. E é (quer dizer, está sendo) uma história da qual me orgulho. Meu objetivo, nesse espaço que tanto prezo, não é, e nunca será, fazer qualquer tipo de propaganda. Para isso, há um banner aqui (pelo qual a empresa me paga, aliás, como qualquer outro anunciante com o qual não tenho nenhum tipo de envolvimento) e propagandas no Facebook, no Instagram e em outros lugares. Com esses textos, meu objetivo definitivamente não é esse. Se isso ainda não estiver claro, vai ficar ao longo do tempo.

Meu objetivo é dividir outra visão sobre o mundo dos fones de ouvido – completamente diferente das habituais avaliações. Como se desenha um fone? É difícil? Qual o público? Como se faz a parte de engenharia? A acústica? As peças de plástico? A ergonomia? Como se desenvolve um alto-falante? Qual o custo de produção de um fone? E de P&D? De onde vêm os componentes? Eles são desenvolvidos do zero? E branding e marketing? Como é fazer uma empresa disso? Os concorrentes não são muito grandes? Como se diferenciar deles? É preciso investimento externo? Onde se consegue? E por aí vai.

Meu objetivo com essa série é contar a minha história com a Kuba. Tudo o que aconteceu, e como aconteceu. As decisões, as dificuldades, as alegrias… basicamente, como um hobbista entrou realmente no mundo que é sua paixão.

Definitivamente não vai ser uma série curta. Mas talvez seja a coisa mais interessante que vou escrever.

36 Comments
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  • Guski

    Let’s go!

  • Frederico Veloso

    Será sensacional! Aguardando pelos novos capítulos!

  • Gabriel Ribeiro

    Opa, vou acompanhar!!! Valeu Drummond!

  • levoratoallan

    Caramba, Leonardo. Sensacional! Compartilho um pouco dessa experiência, já que passei 2 anos empreendendo do zero também na área… Se depois desse tempo todo você ainda continua apaixonado pelo negócio, é daqui para cima! Muito sucesso para a Kuba, você e seus socios/amigos!

  • Rafael Cerantola

    Fantástico!

  • Gatanas Hilderjackson

    Te desejo um grande sucesso Leo!

  • João Pedro Montagna

    Parabéns Leo ! Você com certeza é alguém especial. Manter o site nesta qualidade, fazer um trabalho incrível nos reviews onde não há nada parecido e com tanta clareza, trabalhar, curtir esse hobby e mantendo-se atualizado e ainda empreender no seu hobby ( eu sei o quanto é difícil tudo e mais um pouco) e ter coragem de deixar tudo tão claro é coisa de super herói … parabéns pela coragem e sempre que precisar contará com minha ajuda, forte abraço !

    • Obrigadíssimo, João! Não é fácil… mas a jornada é muito gratificante!

      Abração!

  • César Ferreira

    Parabéns Leo!! Ansioso pelos outros capítulos.

  • Sidney “brujo”

    Legal, Leonardo !!! Estou muito curioso para acompanhar os próximos capítulos !!!

  • Julio da Gaita

    Sucesso rapaz, vamos ver esse seu “foninho” aí…rs, brinks! Sucesso !

  • Hugo Campos

    Ansioso por novos capítulos.! 🙂

  • Darthlean

    Grande Leonardo ,cara tu é único mesmo,vou comprar se tu me disser ,chega perto do Beoplay h6? Em qualidade de Som?Aguardo sua resposta.

    • Darthlean, o ideal é não comentar sobre esse tipo de coisa por aqui, mas como a minha resposta é negativa, vamos lá: sendo sincero, não. O BeoPlay tá em outra categoria – é um fone que custa US$300, e o Kuba, convertido, estaria na faixa dos US$140, por aí. Até acho que algumas pessoas podem preferia a personalidade do Disco, mas é improvável e o H6 é certamente um fone melhor.

      • Darthlean

        Fiz você falar,mais sei que você é o melhor avaliador nascido,obrigado.Meu caso é rock esse fone casaria casaria?

        • Hahaha ih, pra isso ainda falta muito… bom, gosto muito da personalidade do Disco pra rock sim, mas confesso que em alguns casos gostaria de ter conseguido reduzir um pouquinho (e “limpar”) os médios.

  • Pitfall2600

    Conheci seu site agora e estou devorando todo conteúdo! O Brasil tem carência deste tipo de conteúdo. Voce tem algum canal do youtube? O Kuba vai ser bluetooth? Digo isso porque era preconceituoso com a tecnologia e com a versão 4.1 a coisa mudou muito. A única coisa que eu aconselho é que tenha versões Flat, Rock e Hip Hop. Pois atingiria públicos diferentes.

    • Obrigado, Pitfall 🙂

      Tenho um canal no YouTube sim, https://www.youtube.com/mindtheheadphone

      Com relação ao Disco, ele não é bluetooth. Queremos oferecer essa possibilidade no futuro, mas por enquanto não é possível principalmente por questões de custo de desenvolvimento. Mas sobre versões, é um pouco complicado, pelo menos motivo – mas o que trouxemos no Disco é um controle de graves, o que, em partes, supre um pouco essa necessidade.

      Um abraço!

  • Denis Pereira

    Parabéns pelo trabalho. Agora com os Sharks ficou lindo kkk. Abraço.

  • Cassio

    Parabéns pelo projeto! O fone é muito lindo e me interessei bastante!
    Como são os graves desse fone? Possuo Grado SR80i que eu adoro, mas to a caça de uma assinatura mais diferente.
    Basicamente o que me agrada atualmente é palco sonoro e graves mais presentes e melodiosos. Algo tanto pra escutar musica pop e eletrônica, quanto pra ver filmes.
    Estava mesmo pesquisando pra comprar mais um fone, e se ele atende o que eu procuro, com certeza vou dar preferência pra apoiar esse projeto nacional.

    • Obrigado, Cassio!

      Os graves são variáveis, então vão desde bem fracos até muito fortes – mas confesso que gostaria de ter conseguido um passo intermediário entre a posição 0 e a posição 1. Entretanto, eles são sim mais cheios e melodiosos. Quanto ao palco sonoro, vou ser sincero e dizer que não é dos melhores… é honesto, mas não é como um bom fone aberto.

      Em posts futuros, vou falar mais sobre o resultado do Disco – pontos em que cheguei onde queria e os em que eu gostaria de ter chegado a resultados melhores.

      Um abraço!

  • José Augusto C. Martins Jr.

    Legal! Pelo amor de deus não demore demais pra fazer a parte 2.
    Fiquei triste que o Fórum terminou mesmo não sendo usuário, acho legal ter um local para trocar informações. Como dica posso falar que o reddit é um ótimo lugar para criar uma comunidade do mind the headphone. Você não teria o custo de manter um fórum e pode fomentar a comunidade

    • Boa dica, José! 🙂

      De qualquer maneira, já tá lá o segundo capítulo!

  • muito maneiro!