HiFiMAN HE-560

INTRODUÇÃO

A HiFiMAN tem se tornado, cada vez mais, uma marca muito controversa. O que começou como uma empresa que desenvolvia produtos que ofereciam uma alta qualidade de som pelo preço mas  com qualidade de construção discutível acabou se tornando uma marca que personifica os maiores problemas do mercado de fones: novos flagships lançados a cada ano com o preço sendo praticamente dobrado e sem um incremento em qualidade de som ou de construção que justifique o aumento.

Se antes tínhamos o fantástico circunaural HE-6 a US$1.299 e o in-ear RE400 a US$99, agora temos um Edition 6 a US$6.000 e um RE2000 por US$2.000. E, durante uma entrevista com o InnerFidelity, ao falar sobre o RE2000, Fang Bian, criador da marca e CEO, soltou sobre o RE2000: “Por quê tão caro? Porque ele soa bem”.

Bom… será que esse deve ser o parâmetro correto para determinar o preço de um equipamento? E não o custo de produção e de pesquisa e desenvolvimento?

Entre esses dois momentos drasticamente diferentes da marca, houve um período em que ela estava, a meu ver, em seu ápice – oferecendo fones com uma excelente qualidade de som a um preço justo e com uma qualidade de construção que se não era das melhores, era justa (apesar de frequentes problemas no controle de qualidade). O fone que tenho aqui, para avaliação, talvez seja o maior exemplo dessa fase.

Trata-se do HE-560, o sucessor do HE-500. É um circunaural aberto, planar-magnético, de US$899.

 

ASPECTOS FÍSICOS

Já tive um HE500, e gosto muito desse fone. Mas apesar de ele não ter problemas tão sérios de acabamento, era visível que se tratava de um produto cujo maior objetivo era ser simples, e não ergonômico – é aceitável se pensássemos que era uma marca pequena, que estava começando, mas não tanto se considerássemos seu preço. Entretanto, sua qualidade de som compensava.

De todo modo, não era um fone que poderia considerar muito bem projetado ou construído… era pesado demais, não distribuía o peso da melhor forma, e as almofadas não eram muito boas, então não era lá tão confortável.

Nesses aspectos, o HE560 representa um enorme upgrade em relação ao antigo HE500. Primeiramente, o arco simples do HE500 deu lugar a um arco com uma tira de couro sintético suspensa – como o dos AKGs K701 e suas variantes, mas ao invés de elásticos, o ajuste de altura é feito por um mecanismo com travas, que transmite bastante segurança. As almofadas também são muito melhores, agora de couro sintético nas laterais e, na parte que entra em contato com a cabeça, de um tecido que lembra veludo. Além disso, o giro das conchas, que é necessário para chegar a um bom encaixe, mas era muito duro no HE-6 e no HE560, agora é bem mais livre e permite que o fone fique flat, como muitos portáteis – não que ele seja, mas de qualquer maneira é bom poder colocá-lo numa mesa dessa forma. Por último, agora há um aplique de madeira na lateral das conchas, que dá ao HE560 um aspecto interessante.

Minhas únicas críticas vão para a qualidade do plástico usado, que está longe das mais altas, e para a insistência da marca em usar esse terrível conector de antenas nos cabos removíveis (sabem o cabo de sinal da NET? É exatamente a mesma coisa, porém em miniatura). O conector é apertado por uma rosca, mas ele fica num recuo nas conchas, e por isso não há forma de pegar a rosca com segurança. É terrível. Felizmente, nos modelos mais novos, como o HE1000, a HiFiMAN finalmente abandonou esses conectores em prol dos mais comuns TRS. Só não consigo entender por qual motivo isso não foi feito antes.

Em termos gerais, curiosamente ele não me passa a impressão de ser mais sofisticado que o HE500 – talvez até seja justamente o contrário, porque no modelo mais antigo havia materiais mais nobres apesar da construção mais simples. O HE560 é visivelmente um fone mais bem projetado, mas os plásticos usados, em particular, fazem com que ele pareça ser um fone mais barato do que de fato é.

Porém, o aumento do conforto é muito considerável. Ele não está no nível de um HD600 ou de um SR-007 porque a pressão lateral é considerável, mas é muito superior aos antigos HE500 e HE-6, e não se compara aos instrumentos de tortura vendidos pela Audez’e. Para mim, inclusive, é mais confortável que o Focal Elear.

 

O SOM

O que mais me encantava no HE500 era o quanto ele era um fone divertido porém, ao mesmo tempo, doce. Os graves eram fortes e cheios, os médios muito sedosos e maçudos e os agudos apresentavam um brilho que, se não era natural, era agradável. De certa forma, é uma sonoridade com uma pegada parecida à do JH Audio Roxanne.

Com o HE560, porém, a HiFiMAN parece ter outros objetivos em mente. É um fone muito mais neutro e correto. De certa forma, é como se praticamente todas as idiossincrasias do HE500 tivessem sido “resolvidas” – porém, para os meus ouvidos, eram justamente essas idiossincrasias que o tornavam especial… então, vejo que talvez não seja o ideal avaliá-lo como um sucessor do HE500, e sim como um fone completamente distinto.

Na primeira vez que ouvi o HE560, achei que ele era, de fato, um fone muito natural. E de certa forma essa minha impressão se mantém, mas acho que ele está no limiar do brilho excessivo e da agressividade. Dependendo do fone com o qual você está acostumado, pode achar que ele é brilhante (bright) demais. Por exemplo: quando estava acostumado com o meu HD600, achava que  o HiFiMAN me trazia um bem-vindo incremento em claridade e transparência – porém, agora, estando acostumado ao BeoPlay H6 e ao Focal Elear, o HE560 é um pouco agressivo inicialmente. Levo um tempinho para me acostumar.

O maior equilíbrio do irmão mais moderno do HE500 aparece nos graves, que são mais comedidos. Eles talvez apresentem justamente o que considero uma resposta neutra – ele tem basicamente o mesmo volume de graves do Grado HP1000 e do que me lembro do HD600 –, mas com a enorme extensão que se espera de um planar-magnético e que esses fones dinâmicos não têm. Isso significa que mesmo as frequências mais baixas têm intensidade. Porém, os graves são relativamente secos – exceto pelo  Xtreme Ears Xtreme ONE e o HP1000, todos os meus outros fones apresentam uma resposta mais melodiosa e cheia nessa região. Em minha opinião, não há certo ou errado aqui, apenas gosto pessoal – da mesma maneira que há gravações em que bumbos de bateria estão mais secos, e outras em que eles são mais cheios.

Pessoalmente, prefiro uma resposta um pouquinho incrementada nessa região, e de um pouco mais de melodiosidade. Como o que tenho, por exemplo, com o Elear, o Dunu e o H6. Mas, novamente, considero o HE560 extremamente correto, e consequentemente um fone que se encaixa em qualquer gênero musical porque ele me passa a impressão de que vai apresentar exatamente o que foi gravado. Há um ótimo detalhamento e texturização nessa região – o contra-baixo da Me, Myself and I da Beyoncé (um clássico RnB), apresenta muito corpo e peso.

Geralmente separo os médios e agudos mas, aqui, sinto que isso é um pouco difícil, porque nessa área o HE560 é muito coerente e a sensação que tenho é que é uma coisa só. Os agudos parecem, literalmente, parte dos médios, que são mais uma vez muito lineares e diretos. Em termos gerais, as altas frequências são mais presentes do que em todos os meus outros fones. Alguns possuem picos específicos, como o Superlux HD681, e o Grado HP1000 é mais mudo nos agudos – o HiFiMAN, em contrapartida, apresenta toda essa faixa do espectro levantada, mas não acho que de forma exagerada. O que acontece é que há mais detalhamento e é possível escutar mais da música. É como se os médios fossem mais abertos, e isso é proporcionado pelos agudos. Pense num HD600 que te permite ouvir mais da música, tanto pela maior abertura dos médios quanto pela menor granulação neles.

Entretanto, entendo perfeitamente que existem pessoas que vão considerá-lo um fone excessivamente brilhoso por essa característica – de fato, em algumas situações, acho que ele acaba sendo um pouquinho agressivo e essa agressividade custa um palco sonoro mais extenso. Nesse aspecto, ele não é ruim – longe disso –, mas não espere nada próximo de um Sennheiser HD800. Ele projeta uma imagem grande, mas não há tanta profundidade nela.

De qualquer maneira, acho que a forma como ele apresenta os médios e agudos é extremamente competente, e me dá, novamente, uma sensação de naturalidade muito evidente. Mas é importante observar que, para os meus ouvidos, existem diversas formas de se fazer uma resposta “natural” – afinal, quando ouvimos músicas ao vivo, elas podem ser acústicas, amplificadas, as salas podem ser dramaticamente diferentes, nossa posição em relação aos músicos podem ser variadas… enfim. O ponto é que o HE560 apresenta uma versão mais direta dessa naturalidade, ao contrário de algo como o Grado HP1000, que é mais suave.

Tendo tudo isso em vista, fica claro que esse HiFiMAN é um fone que se adequa bem a qualquer gênero musical, contando que você não seja particularmente sensível a uma resposta mais aberta. É como o HD600 – ele sai do caminho e simplesmente parece mostrar a música como ela de fato é.

 

CONCLUSÕES

O HiFiMAN HE560 me traz um misto de aprovação e de decepção. Decepção porque sou fã do seu antecessor, o HE500 – e o que o tornava especial desapareceu no irmão mais novo… não há mais aquela sonoridade deliciosamente dinâmica, autoritária e doce.

Ao mesmo tempo, a fabricante chinesa tirou essas características por um bom motivo. O HE560 é um fone decididamente próximo do que considero neutro e, como disse, é um dos poucos fones que faz com que você o esqueça e ouça a música como ela foi gravada, apesar da rispidez que aparece em algumas situações.

Sob diversas formas, vejo esse fone como o upgrade mais lógico do Sennheiser HD600 que já ouvi. Ele apresenta a mesma sensação de naturalidade e de mostrar a música de forma isenta – mas há diversas melhorias significativas em relação ao modelo alemão. Os graves são melhor definidos, há menos granulação nos médios e agudos e o incremento em detalhamento e transparência é bastante evidente. Só que, para alguns, esse último quesito pode ser justamente uma faca de dois gumes.

Felizmente, para os meus ouvidos, não é o caso. Em minha opinião, o HE560 representa o sweet-spot na linha da fabricante chinesa, por trazer o que ela faz de melhor a um preço, de certa forma, palatável.

 

HiFiMAN HE560 – US$899

  • Driver planar-magnético único
  • Sensibilidade (1 mW): 90dB SPL/mW
  • Impedância (1kHz): 45Ω
  • Resposta de Frequências: 15Hz-50kHz

 

Equipamentos Associados:

MacBook Pro, Oppo HA-1, Benchmark DAC1 PRE

9 Comments
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  • Darthlean

    Mais um ótimo vídeo meu amigo Parabéns,mais até agora meu projeto futuro é o Beoplay h6,tenho um Fiio x1 e para usar ele só adaptador né? Sabe o nome?Obrigado e tudo de bom.

    • Qual adaptador, Darthlean? É só plugar!

      • Darthlean

        Acho que você falou em algum momento no vídeo do Beoplay você fala isso,desculpa se estou errado kkkk.

        • A única coisa que me lembro é que ele não vem com um adaptador P2-P10, ou seja, aquele que transforma o plugue dos fones comuns naquele mais grosso, de receivers ou amplificadores mais parrudos. Mas o FiiO X1 usa o plugue P2, então vc não vai precisar de nada!

          • Darthlean

            Obrigado mestre,confusão minha fica com Deus.E continue essa ótimas matérias.

  • Thiago A.

    Mais um excelente vídeo Léo.

  • Willians Boves

    Realmente, o que parece acontecer com a Hifiman é especulação do mercado. Beira o bizarro os valores pedidos pela linha chamada Reference. Sejamos conservadores e olhemos para um “modesto” set composto por um Stax SR-009 e um Headamp BHSE. É dispendioso como convém, por tudo o que envolve tais equipamentos, mas não tardará: o seu custo estará obsoleto. Resta saber se haverá um salto de qualidade proporcional.