Musical Fidelity EB-33

INTRODUÇÃO

Uma fabricante produzir bons equipamentos de som voltados para caixas de som não significa que ela terá o mesmo sucesso com o mercado de fones de ouvido, e vice versa. Curiosamente, são mercados com exigências e dinâmicas – ainda que nesse último quesito os dois têm se aproximado bastante nos últimos anos – muito diferentes.

Contudo, a explosão do mercado de fones de ouvido aos poucos foi chamando a atenção de marcas Hi-Fi tradicionais, que talvez tenham o visto como uma maneira de expandir seu portfolio e aumentar a base de clientes. Bowers & Wilkins, KEF, Martin Logan, NAD, AudioQuest, Onkyo e são exemplos. Mais recentemente, até marcas como McIntosh, Chord, Moon Audio e Sonus Faber entraram na brincadeira.

4_eb-33_constructUma fabricante que teve uma presença que durou pouco nesse mercado foi a Musical Fidelity. Trata-se de uma das 5 marcas tradicionais britânicas de equipamentos de som – junto a B&W, KEF, Naim e Arcam – e é muito bem conceituada nos círculos audiófilos. Inclusive, no sistema de caixas de som da minha casa, uso um pré-amplificador da marca, um M6 PRE. Sua linha de fones contava com quatro produtos, sendo dois intra-auriculares e dois supra-aurais, e os preços iam de £79 (aproximadamente US$115) até £229 (US$333). O modelo que tenho aqui para avaliação é o EB-33, o intra-auricular mais simples, dinâmico, que custava 79 libras esterlinas.

Todos já saíram de linha, mas tinha curiosidade para saber o que a Musical Fidelity apresentaria no mundo dos fones. Gostaria de agradecer ao leitor César pela enorme gentileza em ceder o fone para avaliação.

 

ASPECTOS FÍSICOS

O EB-33 visivelmente é um fone de qualidade, mas não é exatamente discreto. Seu corpo é quase inteiramente construído de metal (apenas a parte da frente, com o bocal, é de plástico) e inspira confiança, apesar de em minha opinião ser consideravelmente grande, o que compromete um pouco o encaixe. Nesse aspecto, ele me lembra alguns Audio-Technica. No entanto, a ótima seleção de ponteiras inclusas no pacote (9 pares) faz com que encontrar uma solução confortável não seja incrivelmente difícil. O cabo é emborrachado e achatado, algo que também me agrada.

EB-33 e Xtreme ONE

EB-33 e Xtreme ONE

O que não gosto muito – mas que é totalmente pessoal – é que em seus fones a Musical Fidelity leva ao extremo a ideia de vermelho para o lado direito e azul para o esquerdo. No EB-33, a partir do divisor Y, cada cabo tem uma parte pintada de uma dessas cores, e no corpo do IEM em si há vários acentos coloridos também. Isso se repete ao longo da linha (será também uma referência à Bandeira da União?), e se ajuda a identificar os lados facilmente, em minha opinião é um pouco exagerado e o resultado não é exatamente um primor em discrição.

Além do fone em si e das ponteiras, está incluso no pacote um pequeno saquinho para transporte. Nada demais, apenas o necessário.

 

O SOM

Em termos de sonoridade, imediatamente o EB-33 se mostra um típico intra-auricular dinâmico: ou seja, apresenta uma sonoridade cheia, espacial e mais focada nos graves e nos agudos. Os que acompanham o site sabem que essa não é exatamente uma assinatura que costuma me agradar, mas existem diversos casos em que ela pode ser muito interessante.

IMG_7973_1Vamos começar pelos graves. Eles são elevados, mas não a ponto de causar muita interferência nas outras faixas de frequência, e possuem bom impacto. Essa elevação, felizmente, é colocada numa área bem julgada dos graves, mais baixa, e o resultado é muito bom. Na maior parte dos casos, não tenho a sensação de que é um forte midbass boost como vejo em diversos outros fones.

Os graves não são um primor em textura e detalhamento, mas cumprem bem seu papel. Novamente, são o que eu esperaria de um dinâmico nessa faixa de preço: redondos, gordos, com massa mas sem a última palavra em texturização. O “ronco” de um contrabaixo, por vezes, não fica tão claro. É algo que fones de armadura balanceada costumam apresentar com mais competência, apesar de em muitos casos perderem em peso e autoridade.

Não que seja justo, mas comparando o EB-33 com o Xtreme ONE isso fica claro: o fone brasileiro é bem mais leve nas baixas frequências, mas é muito mais fácil ouvir o que acontece nos graves – no EB-33, não ouço tanto, mas sinto. Geralmente, prefiro uma apresentação mais neutra, como a do ONE, mas existem momentos em que o vigor do EB-33 conquista, principalmente com música eletrônica.

Nos médios, a situação é muito interessante. Novamente, eles não me soam tão abertos e transparentes quanto fones de armadura balanceada comparáveis, mas em compensação me parecem bastante orgânicos, suaves e naturais. Gosto de como o EB-33 me apresenta essa região. Vozes, em particular as femininas, são sedosas e convidativas. Em partes, é uma personalidade que me lembra um pouco meu antigo Sony EX1000.

IMG_7981_1A coisa desanda um pouco quando chegamos na transição dos médios para os agudos: assim como um grande número de intra-auriculares dinâmicos mais simples que já ouvi, esse Musical Fidelity apresenta um clássico pico nessa região que prejudica o equilíbrio tonal e que pode, consequentemente, incomodar. Esse problema costuma aparecer em gêneros com muita atividade numa extensa faixa de frequência, que revelam que há um pico naquela região. Nessas situações, o resultado pode ser uma apresentação fatigante e relativamente desequilibrada, principalmente quando aliado aos graves também incrementados. É uma apresentação em V, mas os agudos não são inteiramente elevados – e sim apenas uma pequena área das altas frequências.

No entanto, existem diversos casos em que o resultado não é negativo – pelo contrário. Essa característica, em gêneros mais calmos, como músicas acústicas e jazz, acaba criando a impressão de uma apresentação não só muito refinada, mas também consideravelmente espacial. Boas gravações, como as da Diana Krall, por exemplo, se beneficiam bastante dessa apresentação, e o resultado não é o que vejo como desequilíbrio, e sim como refinamento.

0014417_musical-fidelity-eb33É uma personalidade que me deixa um pouco dividido, porque quando analiso o equilíbrio tonal por si só encontro o que vejo como problemas (que também aparecem em músicas que deixam a tonalidade muito em evidência), mas em alguns gêneros específicos esse “desequilíbrio” acaba contribuindo para um resultado que vai além do que uma apresentação que eu consideraria neutra pode ir – principalmente quando o comparo a outros fones mais equilibrados numa faixa de preço parecida. Ele pode ser, novamente, muito refinado e espacial. Por exemplo, sei que alguns ouvintes, com algumas músicas, provavelmente preferirão o EB-33 a algo como um Xtreme ONE, que pode acabar soando sem graça em comparação.

Já os agudos em geral me parecem competentes, mas diante desse pico nos médio-agudos, acabam ficando um pouco mascarados e tenho a impressão de que falta um pouco de presença e extensão. Gostaria que eles tivessem mais destaque sobre uma faixa mais extensa – é mais um consequência desse pico nos médio-agudos.

 

CONCLUSÕES

O Musical Fidelity EB-33 é um fone que, assim como muitos intra-auriculares dinâmicos em sua faixa de preço, me deixa um pouco dividido.

IMG_7979_1A questão é a seguinte: ele apresenta um equilíbrio tonal que, por si só, não vejo com os melhores olhos. E, de fato, os estilos que evidenciam essa tonalidade – como hard rock, metal, ou outros gêneros que apresentem muita atividade numa extensa faixa de frequências – acabam soando estranhos e fatigantes no EB-33, particularmente por causa de um pico acentuado nos médio-agudos.

No entanto, esse mesmo equilíbrio tonal, em outros estilos musicais mais calmos – como jazz, músicas acústicas e música clássica – esse “problema” no equilíbrio tonal não aparece. Curiosamente, muito pelo contrário: ele acaba criando uma apresentação muito interessante, refinada e espacial, que proporciona um resultado que vai além do que um fone mais neutro ofereceria.

Por isso, se eu não indicaria o EB-33 para aqueles que escutam uma vasta gama de gêneros musicais, os mais seletivos podiam encontrar nele uma excelente opção pelo preço.

 

Musical Fidelity EB-33 – Fora de produção (£79)

  • Driver dinâmico único
  • Sensibilidade (1 mW): 105 dB SPL/mW
  • Impedância (1kHz): 16 Ω
  • Resposta de Frequências: 20Hz-20kHz

 

Equipamentos Associados:

Portátil: FiiO X5 + HeadAmp Pico Slim, iPod Classic, Sony Xperia Z3

Mesa: Mac Pro, Yulong D100, HeadAmp GS-X

9 Comments
1
  • Werberte Gonçalves Ferreira

    Mais uma análise primorosa!

    • Olá Werberte, muito obrigado!

      • Werberte Gonçalves Ferreira

        Esse trabalho que vc faz aqui nos informando sobre as qualidade de produtos que são de um público mais restrito é feito com muita qualidade difícil agente encontrar em sites BR, na maioria das vezes eu ia pra sites gringos!

  • Nicolas Kim

    Boa noite! Excelente anásise, extremamente detalhada, como sempre! Gostaria de saber, na sua opinião, quais fones in-ear que você já tenha ouvido, que seriam mais indicados para uso geral (principalmente Rock e Pop), que não tivessem essa acentuação, por vezes desagradável e fatigante, na faixa dos médio-agudos, e custando no máximo R$ 300,00. Pretendo fazer uso no smartphone e no notebook. Grato desde já, abs..

    • Olá Nicolas, obrigado!

      Vale tentar um Sennheiser CX 300-II.

      Um abraço!

      • Nicolas Kim

        Valeu! Esse é um dos modelos que eu tinha em mente mesmo, dentro do melhor custo-benefício! Abs..

  • Augusto

    amigo, ja pensou em fazer a analise do MI silver? ele é comparado a dois modelos da AKG e Sennhiser. Será que não conseguiria uma amostra junto a assessoria de impressa ou até mesmo a pagina no Facebook?

    • Olá Augusto,

      Posso tentar! Os fones da Xiaomi me despertam curiosidade – talvez sejam uma boa competição frente aos da Philips pelo preço.

      Um abraço!