HiFiMAN HE300

INTRODUÇÃO

IMG_6326A HiFiMAN é uma das marcas com a ascenção mais rápida que já vi até hoje. É de um chinês, residente em Nova Iorque, que resolveu aliar seu conhecimento com as facilidades de sua terra natal e acabou produzindo uma série de produtos que a definiu como uma das marcas mais interessantes do ramo.

Alguns dos melhores planar-magnéticos do mercado, o primeiro tocador portátil verdadeiramente high-end e seus sucessores, in-ears com uma belíssima relação custo-benefício, excelentes amplificadores… a HiFiMAN fez quase tudo. E, agora, decidiu entrar numa outra fatia do mercado: a dos full-sizes dinâmicos intermediários. Ou seja, ela tem uma missão ambiciosa pela frente: brigar com a horda de fones entre os 200 e os 300 dólares, o que inclui não só modelos já estabelecidos, como Sennheiser HD598, Shure SRH940 e Beyerdynamic DT770, mas também a recente leva de portáteis sofisticados que invadiu o mercado.

 

ASPECTOS FÍSICOS

Onde a HiFiMAN costuma deixar a desejar é na parte física dos fones. São todos iguais – fora a cor –, o que não traz muita diferenciação aos modelos, a pressão lateral é grande, os cabos são mais rígidos do que eu gostaria, o headband não é particularmente acolchoado, os ajustes são rudimentares e os pads são muito duros.

18-52-23742-31ad133e5342364d989413c82e7bca99O HE300 é igual ao HE500 – que é igual ao HE-6 –, inclusive o cabo, mas ele possui uma grande vantagem: é dinâmico, e por isso, não possui o peso dos enormes ímãs do irmão maior. Isso é um alívio enorme, porque o HE500 é um fone muito pesado, algo que me incomoda bastante. Fora isso, tenho os mesmos elogios e as mesmas críticas.

Ou seja, é um fone que não vai ganhar nenhum concurso de beleza ou de primor no acabamento, mas faz seu trabalho com competência. Não é o ápice do conforto mas, ao contrário do HE500, também não é desconfortável.

Onde a economia é claramente visível é na caixa: enquanto os irmãos maiores vêm em caixas mais luxuosas ou resistentes cases para viagem, o HE300 é enviado numa (muito) simples caixa de papelão. Além disso, são inclusos apenas os pads de veludo e o plug do cabo é P2 com um adaptador, e não P10. Mas acho esses cortes de custo algo positivo: a HiFiMAN não está desperdiçando dinheiro em seu circunaural budget e, provavelmente, está se concentrando no que importa.

 

O SOM

IMG_6305O objetivo do HE300 não é fácil. Ele está entrando numa faixa de preço extremamente populada, por fones de diversos tipos, que atendem a vários gostos.

O HE300, numa primeira audição, deixa evidente que foi pelo caminho mais seguro, com uma personalidade muito quente e eufônica. É, de imediato, parecido com o HE500, mas mais extremo nessa personalidade comum aos dois.

A começar pelos graves: sensacionais. Não é comum encontrar fones dinâmicos abertos com graves tão interessantes. Em termos de presença, eles são parecidos com os do irmão maior, o que significa que vão além do que eu consideraria neutro. No entanto, é um incremento muito bem feito, em toda a região grave – não há o famoso bump nos médio-graves que se vê em muitos outros fones. Há impacto, força, textura, autoridade e tudo ao que se tem direito. É uma região excepcionalmente competente e bem definida para um fone de categorias até superiores à dele.

Não há, porém, o refinamento de fones como o AKG K702, que é mais comedido e correto. Um outro problema é que o HE300, mesmo com a modificação, ainda é demasiadamente escuro, e os graves algo exagerados aumentam essa sensação de escuridão e falta de definição no resto do espectro. Outra questão a ser notada é o fato de, por ser um alto falante dinâmico, ele não ter a extensão extrema do HE500. Em algumas músicas, como a Truant do Burial, nota-se que o fone mais sofisticado mantém um volume mais alto nas oitavas mais baixas, enquanto o HE300 começa a perder fôlego.

Veja, porém, que essas observações não são o suficiente para ofuscar as habilidades do HiFiMAN nessa região. Fiquei realmente surpreso com tamanha competência nos graves num circunaural aberto dessa faixa de preço.

IMG_6324Nos médios, ele mantém a personalidade doce do HE500, mas leva essa característica a um outro nível. A região é muito eufônica, doce e suave. O preço a se pagar fica na transparência: lembram-se do famoso “Sennheiser Veil”? É como muitos descrevem uma característica do HD650, que parece ter um véu entre o fone e os ouvidos o que significa que a apresentação é menos transparente. O HE300 parece ter um Sennheiser Veil de seda. É engraçado, porque nele essa característica me parece muito mais forte do que no próprio Sennheiser.

Consequentemente, é uma apresentação um pouco mais distante, e vai para um extremo que, na minha opinião, acaba soando um pouco exagerado. Não é uma eufonia como a de um W3000ANV, que parece colocar incrementos sofisticados em regiões muito específicas… é como se toda a região média estivesse encoberta. O Sennheiser HD600, em comparação, soa muito mais aberto e transparente, apesar de apresentar, em contrapartida, uma granulação muito evidente. Vale notar que essa característica, apesar de levar o HE300 para longe da neutralidade, pode representar o nirvana para alguns.

Essa falta de trânsparência significa, no entanto, que esse HiFiMAN também não é a opção mais espacial de sua categoria. Ele é decididamente mais fechado e, apesar de ser um fone aberto, não apresenta uma espacialidade tão convincente. Há a sensação de “respiro” de fones desse tipo, mas conheço diversas opções mais espaciais em sua faixa de preço – como o antigo Sony SA3000 e os Audio-Technica A900X.

hifiman_he300O que de certa forma agrava essa situação são o que, na minha opinião, representam o maior problema desse HiFiMAN: os agudos. Infelizmente, não gostei do que ele me apresenta nessa região. Eles são muito recuados, o que não pode até não ser de todo mal – afinal, acho que o Grado HP1000 faz a mesma coisa, apesar de numa proporção muito menor. A questão é que, para mim, eles soam errados. Parecem estar presentes em regiões um pouco estranhas, o que os confere uma característica que de certa forma me lembra arquivos mp3 com uma compressão mais intensa. Não sei bem explicar, mas devo dizer que conheço agudos melhores nessa faixa de preço.

O recuo é feito, evidentemente, por opção – se não fosse, não haveria essa espuma entre o falante e os pads –, e não tenho dúvidas quanto ao fato de alguns gostarem muito desse tipo de assinatura. O que me incomoda, porém, é que a questão vai um pouco além disso. Acho, infelizmente, que falta um pouco de qualidade nas regiões mais altas em termos timbrísticos.

 

CONCLUSÕES

IMG_6306Minhas críticas negativas não são o suficiente para desmerecer o HiFiMAN HE300. Acho que o problema dessa avaliação é o fato de eu gostar – por uma questão de coerência – de começar pela base, os graves, e ir subindo até as regiões mais altas. Por isso, acabei começando com o melhor e indo até o pior, quando o ideal seria fazer o contrário.

O HE300 é um fone excelente, não só pelo que custa. Apresenta uma personalidade forte, que prioriza eufonia e doçura em detrimento de transparência. É uma personalidade que aprecio bastante em diversas situações – não é à toa que tenho um HE500 e encomendei um W3000ANV.

Na minha opinião, esse tipo de assinatura traz resultados no mínimo interessantes para qualquer gênero. Eu não conseguiria conviver apenas com um fone excessivamente frio, porque acho que eles são péssimos para uma vasta gama de estilos, mas fones mais quentes se dão bem com qualquer coisa – mesmo não sendo exatamente o ideal para alguns gêneros específicos. É o caso do HiFiMAN: rock, pop, eletrônica (principalmente), jazz, folk, clássico, rap, hip-hop… vai funcionar.

O HE300 tem todos os predicados para firmar os dois pés em sua categoria. Desconheço um fone em sua faixa de preço que traga graves tão competentes ou uma região média tão doce. Ele traz, basicamente, o som da casa da HiFiMAN por um preço muito acessível.

Se o que você busca é eufonia, o HE300 é audição obrigatória.

 

HiFiMAN HE300 – US$249,00

  • Driver dinâmico único
  • Impedância (1kHz): 50 ohms
  • Sensibilidade (1kHz): 93 dB/mW
  • Resposta de Frequências: 15Hz – 22kHz

 

Equipamentos Associados

Portáteis: iPod Classic, Sony PHA-1

Mesa: iMac, Abrahamsen V6.0, HeadAmp GS-X, Woo Audio WA3

23 Comments
0
  • Mário Okamoto

    Parabéns pelo review, Léo. Impecável como sempre.

    Sabe qual a revisão desse HE-300 que analisastes?

    Abraços.

    • mindtheheadphone

      Muito obrigado, Mário!

      Mas rapaz, não sei qual a revisão… boa pergunta! Mas dá pra ver o número de série numa das fotos.

      Um abraço!

  • Ricardo

    Ótimo review!
    Fiquei muito feliz por ter um review desse fone, já que sou um feliz proprietário de um exemplar também hehe
    Tive a sorte de comprar esse fone com desconto de 100 dólares na HeadDirect devido à black friday. Não tenho como negar que foi um excelente negócio!
    Gostaria de saber se alguma amplificação ( mais acessível ) traria maiores benefícios, ou se não vale a pena o investimento… Eu utilizo um Macbook pro e o software Amarra. Uma dúvida de iniciante: mesmo utilizando esse softaware, que já traz melhoras evidentes ao som, ainda assim seria necessário um DAC?

    • mindtheheadphone

      Obrigado, Ricardo!

      Hmmm… a pergunta não é simples, porque a saída do MacBook Pro é muito boa. Mas uma coisa: um software como o Amarra em teoria faz melhor uso da seção de DAC do computador, que ainda vai ser um limitador, não importa o caso. Então ele não é um substituto para um bom DAC. Em compensação, o MBP é muito competente em termos de som, então um DAC e amplificador externos podem não te dar o upgrade que vc busca, quanto mais para o HE300, que não é um fone exatamente difícil. Mas confesso que não cheguei a ouví-lo no meu notebook pra ver como se sai. Eu diria o seguinte: se vc pretende manter o HE-300 como seu único fone, fique com a saída do computador. Se tem a intenção de fazer algum upgrade no futuro, tente algo como um FiiO E17, que vai aguentar futuros upgrades de fone com mais segurança!

      Um abraço!

  • Willian

    Ótimo review. É bom saber que estão chegando mais fones nessa faixa. Creio que daqui a pouco será a faixa que vou atacar rs.

    • mindtheheadphone

      Obrigado, Willian!

  • Ubiratan

    Prezado Leonardo:

    Seu site está cada vez melhor, nos ajudando a conhecer cada vez mais o maravilhoso mundo dos fones de ouvido Vem sendo um grande prazer acompanhar as análises que você posta.

    Na análise do V-Moda Crossfade M-80 eu postei um comentário, pedindo sua ajuda com relação a caixas acústicas para montagem de um set em um PC, sendo que você me deu um auxílio valioso, com inúmeras dicas, o que me ajudou muito, já que eu não fazia a menor idéia por onde começar.

    Pois bem, acabei adquirindo um DAC e um amplificador da Musical Fidelity, um M1 DAC e um M1 HPA, aposentando a placa de som. Como sou novato, não posso descrever em detalhes e de forma técnica a mudança do som, mas posso garantir que a mudança foi para melhor, muito melhor. Foi um investimento do qual não me arrependo.

    E naquele comentário você tinha recomendado alguns modelos de caixas acústicas para montar o set. No entanto, resolvi não adquirir novas caixas (por ora), pelo simples fato de que, atualmente, ouço música a esmagadora maioria das vezes com os fones de ouvido. Eu já tinha um Sennheiser HD 650 e, recentemente, adquiri um Grado SR125 (onde finalmente entendi o que você queria dizer com “som na cara”).

    A questão agora é que estou querendo adquirir um novo fone de ouvido, que me mostre “outra maneira” de escutar músicas, ou seja, que me entregue um som “diferente” desses fones que eu já tenho. Eu basicamente escuto Rock em todas as suas vertentes (do Classic Rock ao Death Metal), New Age, Música Clássica, Folk, e algumas raras – e prazerosas – incursões no Jazz, Blues e Música Eletrônica. O que você me recomendaria? Olhando suas postagens anteriores, achei interessantes o AKG K701 e o Hifiman HE500. Um desses dois me entregaria uma boa experiência sonora com esses gêneros? Ou outro modelo seria mais recomendado?

    Abraços!!!!

    • mindtheheadphone

      Olá Ubiratan!

      Fico muito feliz por vc gostar do site, e o sistema que vc está montando é precisamente minha visão do que é um perfeito set de fones de ouvido: um belo conjunto de DAC e amplificador neutros e um grupo de fones com personalidades totalmente distintas. Acho que o HD650 e o SR125i são ótimos complementos, e se eu arriscasse dizer o que está faltando aí, diria que é um fone mais frio e espacial. Assim, vc teria o que vejo com as três principais vertentes: o quente, cheio e relaxado (HD650), o direto, cru e agressivo (SR125i) e um frio, analítico e espacial. Existem vários tipos de sonoridade no meio, mas o principal, na minha opinião, é isso.

      Vejo o K701 (ou uma variante, como K702, Q701 e K712) como uma boa opção, e acho que ele vai te trazer exatamente essa personalidade. Outra opção são os Audio-Technica da linha A-X, como o A900X ou A2000X. Eu gosto muito do HE500, mas vejo ele mais como um upgrade na linha do HD650 do que como uma outra interpretação totalmente diferente. Ele é certamente superior ao Senn, ao Grado, ao AKG e ao AT, mas ao mesmo tempo acho que vc ganharia mais testando um fone mais frio, porque teria uma visão mais certeira de que caminho gostaria de seguir mais pra frente, entende? Por exemplo, é possível que vc ache que o K702 é o que mais se aproxima da sonoridade em que vc quer se aprofundar, então o upgrade mais interessante não seria mais o HE500, seria o HD700 ou o HD800, ou o recente K812 Pro.

      Acho que cada interpretação é interessante para determinados estilos, e gosto dessa personalidade mais fria pra vários dos estilos que vc ouve: new age, música clássica e folk. Jazz também fica interessante – esse é um estilo que combina tanto com uma personalidade mais fria quanto com uma mais quente.

      Enfim, meu voto vai para um fone analítico mesmo. Assim seu set estará excelente e muito completo. E aí, quando quiser fazer algum upgrade ou testar algo novo, terá mais segurança na sua decisão por conhecer melhor o que cada personalidade pode te entregar.

      Um grande abraço!

      • Ubiratan

        Leonardo, muito obrigado pela resposta! Agradeço sua atenção e disposição em responder às nossas dúvidas. Eu já estava meio que pendendo para o lado do AKG K701, e depois das suas observações, é nele que vou com certeza. E como você disse, daí pra frente eu vejo qual tipo de fone eu vou preferir para futuros upgrades.

        • mindtheheadphone

          Por nada, Ubiratan! Estou curioso pra saber o que vc vai achar dele.

          Um abraço!

  • Johny

    Olá, Leonardo.

    Gostei muito do seu site! Está me ajudando demais. Obrigado por proporcionar tantas informações valiosas.

    Sou iniciante, então gostaria de lhe perguntas algumas coisas:

    – Pretendo adquirir um toca-discos. Gostaria de pegar algo Hi-End, mas desconheço as possibilidades. Também não sei se é mais conveniente usar caixas acústicas ou monitores de áudio. Quais as diferenças? Quero que as caixas/monitores sejam adequadas tanto para o toca-discos, quanto para um piano digital (Roland V-Piano). No caso, qual seria a melhor opção? Desconheço também o ”sistema” básico à ser usado, ou seja, não sei exatamente as partes que preciso (amplificador, pré amp, caixas) para compor um sistema básico pro toca-discos. O que é necessário? Pode me indicar alguns modelos?

    Abraço!!

    • mindtheheadphone

      Olá, Johny! Muito obrigado.

      Vamos por partes: toca-discos podem ser realmente caros e envolvem uma série de componentes extras, mas marcas que possuem uma boa relação custo-benefício são Pro-Ject e Rega. Hoje os vinis estão voltando, e existem muitas marcas que estão trazendo produtos que não são muito bons – o toca-discos budget da Marantz, pelo menos, até onde sei é bem fraco. Eu também não iria nessas opções mais modernas, com USB ou coisas do tipo. TDs como os Pro-Ject Genie são puramente focados na boa qualidade de som por um preço baixo, assim como os da Rega. Seria minha recomendação.

      Vc também vai precisar de uma cápsula, que pode ser cara. Eu não entendo praticamente nada sobre isso, então prefiro não opinar, mas sei que marcas renomadas são Ortofon, Grado e Audio-Technica. Além disso, pra usar um toca-discos, vc precisa de um pré de phono. Os TD possuem um sinal muito mais baixo do que outras fontes de sinal, como CD players ou computadores, e é necessário ter um pré desse tipo para fazer um primeiro estágio de amplificação e aí sim enviar o sinal para o amplificador integrado que empurra as caixas de som. Existem opções com um preço bem honesto, como o Parasound Zphono, que custa 200 dólares, ou ainda os Cambridge, Rega ou Creek. Dá uma olhada aqui na HTClick, que possui algumas opções a preços honestos (ela também vende cápsulas).

      Sobre as caixas vs. monitores, é o seguinte: geralmente os monitores são ativos, ou seja, possuem amplificação interna própria, então vc não vai precisar comprar um amplificador à parte. Ou seja, o TD é ligado ao pré de phono, que é ligado diretamente às caixas. Já em caixas passivas, comuns, vc precisa de um amplificador entre as caixas e o pré de phono. A vantagem das caixas ativas é a boa relação custo-benefício e a praticidade. Já as passivas trazem a vantagem de trazer maior flexibilidade no sistema, já que vc pode trocar as caixas ou o amplificador separadamente caso queira fazer algum upgrade. Bons monitores ativos são os KRK, Genelec, Adam, Emotiva e KEF. Já em caixas passivas a variedade é enorme, e o ideal é saber seu orçamento para que eu possa te ajudar.

      Para o piano, ambas as soluções iriam funcionar. Basta vc ligar um cabo P2-RCA à saída de fones do piano e conectá-lo à entrada ou do amplificador integrado ou da caixa ativa, dependendo da solução que vc escolher.

      Um abraço!

  • Johny

    Oi, Leonardo!

    Muito obrigado pela resposta, foi de extrema ajuda. Consegui ter uma noção bem mais clara do que será necessário.

    Pesquisei acerca das marcas que você recomendou e, realmente, parecem ser muito boas. Pretendo gastar entre R$ 10.000~R$ 15.000 com tudo. Pelo que você falou seria: toca-discos, pré de phono (seria isso um pré-amp? o que seria ”de phono”?) e caixas acústicas/monitores de aúdio. Um problema é que não tenho noção do ”peso” de cada parte no resultado final. Já vi alguns caras ressaltando da grande influência do ”pré de phono” no resultado final, assim como já vi outros dizerem que o diferencial está nas caixas. Certamente todos pesam na sonoridade, mas não sei se vale investir igualmente ou valorizar mais certas partes.

    Em relação as caixas acústicas/monitores de aúdio: pelo que sei, monitores reproduzem o som de maneira neutra, ou seja, como está gravado. No caso das caixas acústicas, estas colorem o som. É isso? Qual você acha mais conveniente? Quais seriam as diferenças? Qual seria a discrepância sonora entre, por ex, um Genelec 8040 (monitor) e B&w 805 (caixa)? Caixas acústicas Hi-end como as da B&w possuem amplificação interna? Não tenho noção da diferença de sonoridade, então fico receoso em correr o risco de comprar e depois ver que a outra alternativa poderia ter sido mais interessante. Lembrando que o uso será para o toca-discos e para um piano.

    Por fim: será que você conseguira montar algo com base no que te falei acima? Iria ajudar pra caramba.
    É f** quando se está iniciando em uma área. Não se tem noção das partes que vale mais investir, de qual a função exata de cada uma, das marcas, do ”combo” mais interessante à fazer. Enquanto isso vou pesquisando aqui.

    Novamente, obrigado pela ajuda.

    Abraço!

    • mindtheheadphone

      Johny, antes de qualquer coisa: pelo menos 70% do resultado vem das caixas. É claro que tudo tem sua influência, mas acredito que o melhor seja colocar o peso do investimento no final da cadeia, que são justamente as caixas. O pré de phono é um pré-amplificador específico para toda-discos, que fica entre ele e um amplificador integrado ou pré-amplificador comum. Alguns, inclusive, já possuem um pré de phono embutido.

      Quanto aos monitores vs. caixas de som, na verdade é difícil dizer que um possui um som colorido e o outro não. Não existe equipamento perfeitamente neutro, mas acho que é possível dizer que os monitores têm maiores pretensões no que diz respeito à fidelidade à mídia. Enquanto isso, caixas normais geralmente são um pouco mais preocupadas com a musicalidade. Acho que em termos de som, vc pode gostar tanto de um quanto do outro, os resultados podem ser igualmente excelentes – gostar ou não depende muito mais de vc do que das caixas. Mas os monitores vão te dar uma melhor relação custo benefício e a conveniência de vc não precisar se preocupar com um amplificador discreto. As B&W não são monitores ativos, são caixas comuns passivas, e por isso não possuem amplificação interna.

      Aliás, aproveito pra dizer: se vc está começando agora, não fique tão preocupado com a escolha por achar que outra poderia ter te agradado mais. Como vc é iniciante, acho extremamente improvável que um bom sistema te desagrade. Além disso, agora qualquer escolha é uma roleta-russa. No final das contas, neutralidade não existe, e o que conta é o seu gosto. E como vc ainda está começando, ainda não sabe exatamente do que gosta. Isso é coisa que vem com o tempo e com a experiência.

      Vou montar dois exemplos de sistemas que acho que ficarão legais, um com caixas ativas e outro com passivas (os links que levam a páginas estrangeiras já têm os preços com frete, IOF e impostos cheios. Se vc trouxer de viagem ou algo parecido, o que atenua impostos, pagará menos. Também considerei apenas caixas bookshelf, mas se vc tiver um espaço bem grande, dá pra pensar em torres também.

      Caixas Passivas (botei 3 opções de caixas):
      KEF R300: R$4.490
      B&W CM5: R$6.990
      Monitor Audio PL100: R$8.990
      ROTEL RA1520: R$3.990 (já vem com pré de phono)
      Pro-Ject Debut Carbon: R$2.050 (já vem com cápsula Ortofon Red 2M)

      Monitores (aqui botei 3 opções de caixas e 2 de prés de phono):

      AVI ADM9RS: R$8.800
      ADAM A8X: R$9.600
      Mackie HR824mk2: R$6.000
      Pré de Phono Cambridge 651P: R$899
      Pré de Phono Rega Fono MM: R$1.999
      Pro-Ject Debut Carbon: R$2.050 (já vem com cápsula Ortofon Red 2M)

      Tenho certeza de que qualquer escolha aqui vai te satisfazer. Mas, se eu tivesse que apostar num sistema, acho que iria na opção com caixas passivas, escolhendo as Monitor Audio PL100 ou as KEF R300.

      Um abraço!

  • Vitor

    E ai Léo ! Acompanho seu site a algum tempo já , e gostaria de te perguntar . Que fone de ouvido você recomendaria para um DJ ? Um headphone com isolação boa , confortável e qualidade de som boa e que custe menos de 200 dólares. Já ouviu falar do Urbanears Zinken ?

    Abraço !

    • mindtheheadphone

      Olá, Vitor!

      Nessa faixa de preço vc consegue o Sennheiser HD 25-1 II. O preço de tabela é 250 dólares, mas dá pra achar no Amazon por menos de 200! É o fone mais popular do mundo entre DJs, e por bons motivos. Não é muito bonito, mas não tem erro: belíssima qualidade de som, confortável, bom isolamento e muito resistente.

      Um abraço!

  • Johny

    Leonardo!

    Cara, MUITO obrigado pela ajuda que você está me dando. Sério.

    Só gostaria de esclarecer mais algumas questões rápidas:

    – O que você acha dos monitores de áudio Genelec 8050? Acha melhores ou equivalentes aos que você colocou? Ou acha que os que você listou são mais convenientes? Por que? Gostei deles esteticamente e pelos reviews/preço/prestígio da marca, pareceram-me interessantes também.

    – Que cabos preciso e como faço a conexão entre os aparelhos?

    – O pré de phono que por vezes vem em alguns modelos Pro-Ject (como o Pro-ject Debut III Phono SB, se não me engano) tem certa qualidade e é interessante ou você acha mais conveniente pegar o toca-discos e o pré de phono separados? Por que? Aproveitado: o que você acha deste modelo da marca Pro-Ject que eu citei?

    Valeu, Léo!

    • mindtheheadphone

      Por nada, Johny! Aliás, desculpe pela demora. Por algum motivo de vez em quando não recebo e-mails quando chegam comentários!

      Olha, a Genelec é uma marca muito conceituada, então se vc gostar delas, mesmo que pela estética, acho que vale a tentativa. Ruim eu tenho certeza que não vai ser! Mas confesso que se eu fosse apostar num sistema dentro dos que te recomendei, iria no Rotel com as Monitor Audio PL100 ou nas B&W CM5.

      Quanto aos cabos, primeiro de tudo, nesse momento, esqueça cabos audiófilos. Pegue cabos simples mas bem construídos e seja feliz! O esquema vai ser assim:

      – Caixas passivas: TD -> (cabo RCA estéreo) -> Amplificador Rotel -> (dois cabos de caixa) -> Caixa passivas
      – Caixas ativas: TD -> (cabo RCA estéreo) -> Pré de Phono -> (cabo RCA estéreo) -> Caixas ativas

      Se vc já quiser ter cabos legais e bem construídos pra não precisar mais se preocupar com isso, eu recomendaria os BlueJeans. Eles montam ótimos cabos com bons conectores, e montam de acordo com as suas especificações. Vc vai precisar de cabos RCA estéreo e talvez de um de caixa, dependendo da opção que escolher. De qualquer forma, para os RCA, é só vc ir, no site deles, em Stereo Audio e, lá embaixo, botar o comprimento que vc precisa na opção que escolher (recomendo qualquer um dos dois Belden – a opção de Techflex é uma rede de nylon em volta do cabo, o que é puramente estético). Se vc for na primeira opção e precisar de um cabo de caixa, vai na seção Speaker Cable e faz o mesmo da parte RCA. Eu iria no Belden 5T00UP, com Locking Bananas nas duas pontas. Vc vai precisar de um par.

      Se quiser pegar algo mais imediato e fácil de usar direto, dá pra comprar por aqui mesmo os RCAs Santo Ângelo e os cabos de caixa da Tiaflex (não se esqueça que vc vai precisar de um par). São bons e cumprem seus papéis.

      Quanto às Pro-Ject… meu conhecimento sobre toca-discos é muito limitado, mas a que te recomendei antes, a Carbon foi elogiadíssima não só pelo Steve Guttenberg quanto pelo John Atkinson, da Stereophile. Além disso, acredito que um pré como o Cambridge ou o Rega seja superior, por ser um aparelho projetado pra isso. Não sei, mas é onde eu apostaria, até porque te dá maiores opções de upgrades no futuro.

      Por último, sobre a agulha: se vc for na Debut Carbon, que vem com a Ortofon, eu não me preocuparia por enquanto com um upgrade de cápsula. Essa já é muito boa!

      Acho que a opção com caixas passivas e com as Debut Carbon vai te dar a vantagem de vc poder testar, vc mesmo, tudo isso. Um dos grandes prazeres da audiofilia, na minha opinião, não é apenas o resultado, é o caminho. Por isso, um sistema como esse vai te dar muitas opções. Vc vai poder testar outros TDs, outras caixas, outras cápsulas, outro integrado… é bem legal quando vc tem o tempo, a disposição e o dinheiro pra isso.

      Acho que é isso! Um abraço!

  • Johny

    Ah, esqueci:

    Você acha que é interessante eu ficar com a agulha que já vem no aparelho (Ortofon, não lembro exatamente o modelo, mas acredito que seja de entrada) ou acha que já é legal comprar outra e trocar? É muito relevante?

  • Vitor

    Obrigado pela dica Léo ! Mais uma pergunta , um amigo meu me falou desse Urbanears Zinken , que alguns Djs usam … você conhece ? Sabe se é bom mesmo ? Ele me chamou atenção pelo preço: 99 dólares.

    Abraço !

    • mindtheheadphone

      Eu acho que vc consegue opções melhores por pouco a mais, Vitor! Ou até menos, no caso do Skullcandy Aviator, que é um belo fone. Dá pra achar por 80 dólares se não me engano.

      Um abraço!

      • Vitor

        Gostei do design desse que você falou ! Obrigado ! Última pergunta: um fone que opera entre 20Hz e 20kHz , daria um som bom ?

        • mindtheheadphone

          Vitor, já te adianto: nenhuma especificação vai te dizer se um fone tem uma boa qualidade de som. Já vi várias pessoas falando que o fone X é bom porque a resposta de frequência vai de tanto a tanto. Isso não quer dizer absolutamente nada.

          Dá uma lida nesse artigo aqui, onde escrevi sobre isso.

          Um abraço!