Uma Revisita ao AKG K1000

Não é segredo, para os que acompanham minhas aventuras na audiofilia, que fui ficando cada vez mais distante do AKG K1000 (avaliação original aqui), que foi embora sem deixar saudades. Apesar de ter gostado muito dele no início, acabei com o tempo encontrando defeitos que me impediam de aproveitar o que ele me apresentava. É claro que o palco e a espacialidade são fenomenais, mas o equilíbrio tonal, com meu sistema à época, me incomodava bastante.

O som era agressivo demais, com médios para a frente nas regiões erradas – muito diferente dos Grados. Aliás, a comparação com o HP1000 foi justamente o que deu o ultimato no AKG. Os médios também são realmente para a frente (talvez até mais), mas de maneira muito mais suave, por assim dizer. Os agudos do K1000 também me pareciam estranhos quando vistos em conjunto com os médios. Não sei explicar tão bem, mas me pegava simplesmente esquecendo que tinha o AKG em casa.

A questão é que ele foi embora para dar lugar ao HeadAmp GS-X, que é justamente um amplificador que tem tudo para fazer o K1000 cantar. Meu primo, João Pedro, tem um AKG, que parecia estar apresentando algum problema. Para conferir, trouxe para minha casa. Dei uma bela renovada em meu sistema desde a troca do fone – também troquei a fonte, para um Abrahamsen V6.0, e recentemente, após um teste interessante que fiz (mais em breve), resolvi trazer dois cabos de força do sistema da sala, assim como uma interface M2Tech HiFace e um bom cabo coaxial, para cá –, e por isso aproveitei para ver o que o K1000 teria para oferecer aqui.

A primeira coisa que vejo é que a agressividade que tanto me incomodava parece ter ido embora. Não é que ele tenha se tornado um fone suave e melodioso – ainda é bem “duro”, mas isso não mais me incomoda porque está presente numa menor proporção. Os médios parecem ter conseguido uma relação consideravelmente mais interessante com os graves, e não parecem mais pular na cara do ouvinte.

Aliás, os graves aparentemente estão mais presentes do que eu estava acostumado! Sei que o Random Access Memories é um álbum com essa região bem desenvolvida, mas ainda é bem interessante ouvir Get Lucky, uma música totalmente Disco, sendo apresentada com muita competência por um fone tão aberto quanto o AKG K1000. Toda a textura do baixo está muito evidente, e soando sensacional.

A maior mudança, porém, e a que pode ter sido responsável pelas maiores mudanças na percepção geral da apresentação desse fone são os agudos. Eles sempre foram presentes, mas de alguma forma, pareciam estar escondidos nos médios. Não é que eram recuados, mas ao mesmo tempo não eram proeminentes e, para mim, faltava um pouco de brilho. Agora, eles têm seu lugar reservado no espectro. Tenho, finalmente, pratos de bateria que se destacam na imensa imagem projetada pelo K1000.

O álbum Bare Bones, da Madeleine Peyroux, é capaz de deixar claro o quanto tudo melhorou nesse fone: os graves  têm excelente impacto – esse sempre foi um dos maiores trunfos do K1000 devido à excursão descomunal de seu diafragma VLD – corpo e definição, e os pratos têm a presença e o timbre que deveriam ter.

Outra questão que vejo, também, é uma diferença na capacidade de resolução. É onde mais vejo progresso em termos de alto-falantes – os mais modernos, como Sennheisers HD800 e HD700 e AKG K550 têm mais silêncio de fundo, melhor velocidade, separação instrumental e transparência, o que acaba gerando uma resolução maior. A impressão é que se ouve mais, e que tudo é mais definido. Não obstante o falante do K1000 ser bem antigo, e não se encontrar no nível desses mais novos, a diferença diminuiu drasticamente.

E toda essa melhoria sempre regada à pièce de résistance desse AKG: o imenso palco sonoro, capaz de fazer com que qualquer outro fone de ouvido pareça fechado e claustrofóbico. Consequentemente, além de agora soar bem numa gama bem maior de estilos, o desempenho em jazz, folk e músicas acústicas e clássicas chegou a um novo patamar.

Com a ajuda correta, nos gêneros certos, esse velho antiquado ainda consegue dar uma verdadeira aula a muitos jovens prodígios.

 

Equipamentos Associados

Amplificador: HeadAmp GS-X

Fonte: Abrahamsen V6.0

Transporte: iMac + M2Tech HiFace

Cabos de Interconexão: Tchernov Cable Classic XS XLR e Acoustic Zen MC2

Cabos de Força: Acoustic Zen Krakatoa

2 Comments
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  • Lidson Mendes

    Leo agora que você trocou os cabos precisamos ouvir novamente o HD-600, tenho certeza que vamos ouvir uma diferença gigantesca no som. Até que enfim você acabou com o gargalo do seu sistema. Hauhauahuahua é brincadeira valeu.

    Abraço.

    • mindtheheadphone

      Hahahaha pois é, Lidson!