Interpretando as Especificações de Fones de Ouvido

7 Postado por - 27/12/2011 - Artigos Sobre Áudio

Em equipamentos de áudio – tanto sistemas baseados em fones quanto baseados em caixas de som –, nada substitui a audição como forma de avaliação. Infelizmente, frequentemente não é possível ouvir equipamentos que nos interessam, e então ficamos sem parâmetros para julgar o que seria uma boa compra ou não. As avaliações e depoimentos de usuários são a forma mais indicada, porém, cada ouvido uma sentença – o que é do gosto de uma pessoa pode não ser do seu.

Agora, alguns devem estar se perguntando “mas e as especificações?”

Os audiófilos um pouco mais experientes sabem que elas não dizem praticamente nada a respeito da performance de um equipamento, mas vejo os mais leigos confiarem nelas para escolher onde irão seus investimentos – sabendo muito pouco a respeito do que realmente significam essas especificações.

Posso adiantar que nenhuma delas vai apresentar a “voz” de algum equipamento, e consequentemente como ele vai soar aos nossos ouvidos. Tampouco vai evidenciar algo a respeito da sinergia, que é de suma importância no áudio. Porém, alguns dados podem sim ser importantes, e nesse artigo vou tentar explicar um pouco mais a respeito deles. O foco vai ser nos fones de ouvido, mas as partes de sensibilidade, impedância, potência mínima recomendada, potência máxima e resposta de frequência podem ser aplicados também a caixas de som.

 

Ultra-Mega-Master-Power-Enhanced-Ultimate Bass

Mega-Bass

Mega-Bass

Sei que não se trata de uma especificação, mas é algo que chama a atenção de muitos, principalmente iniciantes. Esse tipo de informação é normalmente encontrada em fones mais simples, de fabricantes que sabem que o consumidor comum, acostumado com earbuds, quer graves, coisa que eles não têm. O problema é que esse Mega Bass normalmente não quer dizer muita coisa, e no final das contas o excesso de graves acaba arruinando a qualidade de som do fone. Regra geral: fuja.

 

 

Tipo de diafragma/Driver type

Aqui já é possível tirar algumas conclusões, mas é uma questão muito variável. Cada tipo de diafragma tem uma característica sonora, mas como todos estão tentando chegar no mesmo lugar – a reprodução perfeita –, ao chegarmos mais perto do topo as diferenças normalmente diminuem. Aqui vai um resumo básico dos tipos mais comuns.

-  Dinâmico

Esotar_SubÉ o habitual, o tradicional falante em cone. É muito usado pelo preço baixo e pela capacidade de cobrir uma extensa faixa de frequência. No entanto, não é tão pequeno quanto as armaduras balanceadas. Como é apenas um diafragma por ouvido, não há a necessidade de se usar um crossover (é o circuito que divide as frequências de uma música e envia faixas específicas para cada alto-falante), que introduz distorção. Além disso, drivers dinâmicos costumam ter uma sonoridade mais linear do que armaduras balanceadas, algo que alguns preferem. A foto mostra um alto-falante dinâmico para caixas de som. Nos fones, o princípio é o mesmo, mas em miniatura.

EDIT: Existem algums fones com mais de um diafragma dinâmico, como o AKG K240, e outros que misturam tecnologias – K340, dinâmico e eletrostático, e Ultimate Ears Super.fi 5EB, dinâmico e de armadura balanceada –, mas são raríssimos e a grande maioria não é mais produzida.

-   Armadura Balanceada

Armadura Balanceada

Armadura Balanceada

A grande vantagem em relação aos dinâmicos, além do tamanho, é o fato de que é possível empregar mais de um por ouvido, e consequentemente o controle sobre a resposta do fone é maior. Mas são caros e não são capazes de cobrir uma faixa de frequência muito extensa, sendo deficientes nos extremos. Por isso, fones de armadura balanceada mais sofisticados usam mais de um por ouvido (o recorde atual, até onde sei, é do JH Audio Roxanne com 12 armaduras por ouvido), obtendo-se assim uma maior resposta no espectro de frequências. Há também a necessidade de um crossover caso haja mais de uma armadura por ouvido. Normalmente, os mais simples têm uma maior granulação, enquanto os dinâmicos são mais lisos. Além disso, os fones de armadura única costumam ser mais centrados nos médios, com menos graves e agudos que os dinâmicos.

 –  Eletrostático

Diafragma Eletrostático

Diafragma Eletrostático

É o tipo mais sofisticado de diafragma, com as maiores capacidades teóricas e, consequentemente, com o maior preço. Um diafragma eletrostático nada mais é do que uma película ultra fina, carregada com partículas condutoras, entre dois eletrodos. Quando uma carga elétrica é aplicada nos eletrodos, o campo magnético é alterado e a película se move para frente ou para trás. A primeira vantagem óbvia é o fato de que a película, tendo apenas micrômetros de espessura, tem um peso risível – no caso do Stax SR-007MKI, por exemplo, ela pesa menos que um metro cúbico de ar –, consequentemente a resposta a transientes é extremamente rápida e o nível de detalhes é altíssimo. A distorção também é praticamente inexistente. Outra vantagem é a resposta de frequência incrivelmente extensa e linear. O resultado sonoro é de transparência e detalhamento extremos e um som particularmente liso mas com textura excelente. Já uma desvantagem é a relativa falta de impacto nos graves se comparados aos dinâmicos.

 –  Planar magnético

110511_planar_photo_driverTambém chamados de isodinâmicos ou ortodinâmicos. É uma tecnologia relativamente antiga, mas que voltou a ser popular com os Audez’es e HiFiMANs. Trata-se de uma mistura entre os dinâmicos e eletrostáticos. A organização é dos eletrostáticos, mas os princípios são dinâmicos. Ou seja, ao invés de um filme carregado com partículas condutoras suspenso entre dois eletrodos, como os eletrostáticos, os planar-magnéticos usam um filme impregnado com fios em formato de serpentina (por onde passa o sinal, como a bobina dos dinâmicos) suspenso num campo isodinâmico criado por uma série de ímãs. O resultado é uma sonoridade que potencializa as vantagens dos dinâmicos – uma sonoridade autoritária, com peso – enquanto traz um pouco do que é visto nos eletrostáticos: transparência, velocidade e resposta a transientes. Em compensação, a espacialidade não costuma ser muito desenvolvida e atingir uma boa e coerente resposta nos agudos é um verdadeiro desafio. Por isso, alguns fones podem falhar nesse quesito.

 

Diâmetro do diafragma/Driver diameter

Em teoria, quanto maior, mais capacidade de excursão e mais graves. Na prática, não quer dizer absolutamente nada. Existem fones com falantes pequenos e graves colossais e outros com diafragmas enormes e graves tímidos.

 

Sensibilidade/Sensitivity

Em questões práticas, a sensibilidade e a impedância são provavelmente as especificações técnicas mais importantes num fone ou numa caixa de som – já que, junto com a potência do amplificador, vão dar uma ideia do volume ao qual será possível chegar com um determinado sistema. Sensibilidade é, como o nome implica, a sensibilidade de um determinado equipamento a um determinado impulso: a escala costuma ser em dB SPL/W (decibels de nível de pressão sonora por watt) para caixas de som e dB SPL/mW (decibels de nível de pressão sonora por miliwatt) para fones, já que a potência requisitada por eles é muito menor. Ou seja, para cada watt ou miliwatt de potência gerados por um amplificador, o fone ou caixa vai te dar X dB SPL – sendo curto e grosso, volume.

 

Impedância/Impedance

A impedância é a resistência encontrada por um impulso na sua recepção ou transmissão. Ou seja, num fone ou caixa de som, é a resistência imposta pelo diafragma ao impulso. Essa especificação é importante porque é variável, e amplificadores vão fornecer diferentes potências em diferentes impedâncias – já que ele vai ter que lidar com resistências diferentes. Em caixas, a faixa normal de impedância é de 4, 6 ou 8 ohms. Já em fones, normalmente vai de 32 a 600 ohms. Veja que essa impedância varia com a frequência,  e o número fornecido pelo fabricante é como uma média.

Em termos práticos, ao juntarmos a impedância e a sensibilidade com a potência de saída da amplificação, a questão é simples. Se um fone tem 120 ohms de impedância e 92dB SPL/mW de sensibilidade e é ligado a um amplificador que fornece 1mW em 120 ohms, esse 1mW gerará 92dB SPL de pressão sonora.

Dois detalhes: conforme a impedância aumenta, a potência diminui, e a relação entre potência de saída e nível de pressão sonora não é linear (a escala de dB é logarítmica), ou seja, nesse sistema, 2mW não vão te dar 184dB SPL.

Em fones, vejo que existem muitos equívocos de hobbistas. Primeiramente, deixando claro: impedância é apenas uma característica, e nunca um indicativo de qualidade de um fone. Impedância maior ou menor não quer dizer que um fone seja melhor ou pior. Em 95% dos casos, inclusive, não há motivo para se preocupar com isso. Se você simplesmente quer um fone portátil para usar com um DAP ou celular, não se preocupe com isso.

Ela deve ser observada, porém, na hora de entender a interação de algum fone específico com um determinado amplificador. A regra básica é a seguinte: o ideal é que a impedância de um fone seja pelo menos 8 vezes maior que a de saída do amplificador. Se isso não acontecer, o resultado é que os graves vão ser mais soltos e menos definidos. Por isso, por segurança, é possível dizer que o melhor é ter sempre amplificadores com a impedância de saída mais baixa possível, já que eles vão poder empurrar qualquer fone sem problemas, desde que tenham a potência necessária. A grande maioria dos fones do mercado possui por volta dos 32 ohms – para esses, o ideal é que a impedância de saída seja do amplificador, no máximo, 4 ohms (32/8=4). Mas existem alguns in-ears ainda menos resistentes, como o JH Audio JH16 Pro, que possui 18 ohms. Para ele, o ideal é que a impedância não passe de 2.25 ohms.

Muitas vezes, saídas de fones de má qualidade, como em placas de som integradas, possuem impedância de saída muito alta, o que de modo geral é algo ruim. Há, porém, uma exceção: existem alguns amplificadores valvulados que trazem uma topologia sem transformadores de saída, os OTL. Existem alguns benefícios nesse tipo de circuito, mas também um problema inerente, que é a alta impedância de saída. Não é como nas placas de som ruins porque se trata de um reflexo de um circuito sofisticado que possui diversos benefícios, então com eles, o ideal é usar fones de resistências altas, como os Sennheisers mais sofisticados da linha HD ou os Beyerdynamic Premium de 600 ohms.

A última questão que deve ser observada é que para alguns amplificadores é mais difícil lidar com impedâncias muito altas. Por exemplo, um iPod ou um celular qualquer provavelmente terão mais dificuldade em tocar um fone de 300 ou 600 ohms. Baixa sensibilidade é algo que traz mais dificuldades, mas impedância alta também deixam as coisas mais difíceis para amplificadores mais simples.

Já em caixas de som, a impedância é mais importante e algo que merece mais atenção, já que vai determinar que potência vai ser extraída do amplificador – além do fato de que uma impedância menor que a aceita pelo amplificador pode queimá-lo. Amplificadores normalmente têm sua potência nominal declarada em 8 ohms e, em 4, ela costuma dobrar. Por exemplo, um Marantz PM-11S2 é declarado como tendo 100W. Essa potência é em 8 ohms, e em 4 ohms ela salta para 200W. Mas isso não é uma regra: já vi amplificadores com 100W em 8 ohms e 175W em 4 ohms.

 

Potência mínima recomendada/Minimum power recommended

MiniWatt

MiniWatt

Não costuma ser visto em fones, mas é basicamente a potência mínima recomendada pelo fabricante para se atingir um volume satisfatório. Não é uma coisa tão certa, mas, assim como a sensibilidade, te dá uma boa noção de mais ou menos quanta potência será necessária para um falante. Por exemplo, se a potência mínima recomendada por uma caixa de som é 10W, é possível saber que amplificadores com pouquíssima potência (como os valvulados em triodo) serão suficientes. Um par muito elogiado, por exemplo, é o amplificador MiniWatt (com apenas 1W de potência) e as caixas Zu Audio Essence, de sensibilidade altíssima. A questão só não é tão simples quanto olhar o número e o entender como mínimo absoluto porque amplificadores fornecem correntes diferentes, então não é raro encontrar alguns que forneçam 100W que toquem mais do que outros que forneçam 200W.

 

Potência maxima/Maximum power

São os famosos números frequentemente vistos em caixas de som passivas, como por exemplo 150W ou 300W. Muitos, aliás, se confundem, porque não é a caixa que tem 150 Watts. Ela não tem nada (a menos que seja ativa), quem tem é o amplificador. É simplesmente a potência máxima que a caixa pode aguentar sem que haja danos ao seu diafragma. Mas, como há essa questão, como já foi dito, de “forças” diferentes para uma mesma potência, esse número deve ser tomado mais como uma estimativa. Não é uma especificação normalmente encontrada em fones.

 

Potência de saída/Output power

Essa é a exceção nesse artigo todo, porque é uma especificação de amplificadores, especialmente de caixas de som. Existem outras, como resposta de frequência e slew rate (particularmente significativa para caixas de som), mas não vou abordar nesse artigo por não considerá-las tão importantes para os leitores para os quais essa matéria foi escrita. Mas, se alguém quiser alguma maior explicação, fiquem à vontade para perguntar, e adiciono ao texto.

Minisystem com teóricos 6600W PMPO

A potência de saída é como a “força” do amplificador, o que está ligado à capacidade dele de fazer caixas de som tocarem. Existem caixas fáceis e caixas difíceis (vejam sensibilidade e impedância), e é a potência do amplificador, junto com o slew rate, que vai determinar o quão bem ele vai lidar com elas – para chegar a um bom nível de volume com compostura e autoridade.

Para começar, nunca acredite nesses fabricantes que declaram 1500W ou algo do tipo. Mais de 200 já é bem esquisito – acreditem, 100W de potência é muito. Essas medidas estratosféricas normalmente são feitas em Watts PMPO, uma medida irreal que tem pouca relação com a realidade. O que importa são os Watts RMS, e os números não são impressionantes. Um ambiente de 20m2, com caixas sensíveis, já pode se satisfazer com 30W.

Para saber o que essa potência significa num sistema, como já dito antes, você precisa saber a sensibilidade e a impedância das caixas, além, obviamente, do ambiente no qual esse sistema vai tocar – quanto maior, maiores devem ser as caixas e a potência do amplificador.

Já expliquei bastante a respeito de amplificadores no artigo anterior, mas vale lembrar que a potência têm pouco ou nada a ver com a qualidade de som, e mesmo com relação à força do amplificador, é variável. Existem amplificadores com 100W que tocam mais que outros com 150 ou 200, e se considerarmos os que operam em classe A, não é incomum alguns de 30W tocarem mais que outros de 200W que operam em classe AB. Aliás, hoje em dia os minisystems comuns estão fornecendo a potência em W RMS, mas tenho certeza de que um bom integrado de 150 ou 200W vai tocar mais – falando de volume. Qualidade de som então…

No entanto, mais potência na maior parte das vezes de fato significa que o amplificador tem mais capacidade de lidar com as caixas, já que vão trabalhar com bastante reserva de potência, o que pode significar mais controle dos diafragmas – em termos práticos, melhores graves. Essa reserva também quer dizer que ele vai trabalhar mais longe do limite, o que significa um menor nível de distorção. Mas, um detalhe: não é incomum em audiófilos achar que potência demais é ruim, já que pode ser descontrolada e o resultado é a perda de refinamento.

 

Resposta de frequência/Frequency response

Primeiro, para já ficar claro: resposta de frequência nunca, sob nenhuma hipótese é indicativa da qualidade de um fone. Qualquer resposta entre 25Hz e 18kHz está mais do que suficiente para um fone de ouvido. Em fones, vejo muitos considerando a resposta como um atestado de qualidade, o que em nenhuma hipótese vai ser o caso. Veja por exemplo o JH13Pro, um dos melhores in-ears da atualidade, com uma resposta bem menos ampla que a do Sony EX310, um IEM de entrada. Não preciso dizer que o JH13 está boas léguas à frente do Sony.

Aqui a coisa complica. O que ocorre é que falantes respondem a impulsos, gerando vibrações em diferentes frequências. A frequência da vibração é o que determina se o som é grave ou agudo. Nenhum falante tem uma resposta perfeitamente igualitária em todas as frequências, e nenhum responde infinitamente, seja para os graves, seja para os agudos.

Não é um dado tão importante, já que normalmente só ouvimos de 20Hz a 20kHz, e mesmo que um fone não chegue a esses extremos (o que é incomum), poucas músicas chegam lá. E, a menos que a resposta seja criticamente curta (algo como 60Hz a 15kHz), não vai fazer tanta diferença, até porque, como já foi dito, a resposta nada tem a ver com a qualidade de som. É o que acontece entre os limites que faz toda a diferença. Veja no próximo tópico.

A resposta de frequência indica, simplesmente, os limites, ou seja, até onde o diafragma responde. A questão é que eles não param de responder abruptamente, isto é, respondem a 45Hz e não respondem mais a 44Hz. Há um decaimento nos limites, o nível de pressão sonora vai diminuindo suavemente. Então, como determinar o fim da resposta? Em suma, determinando uma atenuação em relação a um padrão, atenuação essa que chega a um nível audível, ou seja, após esse “limite”, percebe-se que há notavelmente menos graves e menos agudos.

Isso é feito determinando-se uma tolerância em relação a um padrão. Não sei se ele é o dB SPL máximo alcançado numa frequência qualquer ou se é simplesmente uma frequência arbitrária, no meio da resposta. Enfim, eles estipulam uma tolerância, que pode ser, por exemplo, 0.5dB ou 1dB. Quando, nos extremos, a atenuação do nível de pressão sonora, dB SPL, chega à tolerância estipulada, é determinado o fim da resposta de frequência.

Exemplificando: se um fabricante resolveu determinar que o padrão será 1kHz e nessa frequência 1W te dá 92dB SPL, e a tolerância é de 1dB, quando, numa determinada frequência nos extremos, o nível da pressão sonora for 91dB SPL, a resposta de frequência é dada como “terminada”. Se nesse falante essa atenuação de 1dB se deu a 18Hz e a 24kHz, a resposta de frequência é estabelecida como 18Hz a 24kHz.

 

Gráfico de resposta de frequência/Frequency response graph

O gráfico de resposta de frequência é uma especificação rara, mas para mim uma das mais importantes, já que é o mais perto que se pode chegar de ver como é a sonoridade de um determinado fone, porque evidencia seu equilíbrio tonal. Uma questão é que existem diferentes níveis de interpolação, diferentes microfones, diferentes equipamentos de medição, diferentes amplificadores usados… então o ideal é que se tenha uma base de dados, com vários fones, feita com os mesmos equipamentos. Outro problema é que ela também depende do amplificador, que tem seu próprio “gráfico”, apesar de com bem menos personalidade que fones ou caixas. Qualquer gráfico de resposta de frequência é feito com um amplificador, e se o seu for diferente, grandes chances de, no seu amplificador, o gráfico ser diferente. Mas não é uma diferença tão grande a ponto de invalidar o que esse gráfico nos diz – que é, basicamente, como o fone se comporta em diferentes frequências. Vai te mostrar por exemplo, a quantidade de graves, médios e agudos, o quão linear é sua resposta, se o roll-off nos extremos é grande, etc. É especialmente útil caso você tenha o gráfico, feito com os mesmos equipamentos, de um fone que você conheça bem. Assim, será possível compará-lo a outros, para saber por exemplo, se o fone no qual você está interessado tem muitos médios ou poucos agudos. No gráfico abaixo, selecionei um fone com um excelente gráfico, o Sennheiser HD800, e colori as faixas de acordo com as minhas considerações pessoais. Créditos ao Headphone.com e ao Innerfidelity.com pelas maiores bases de dados de resposta de frequência que conheço.

A interpretação do gráfico é simples: o eixo horizontal representa a frequência, e o vertical o nível de pressão sonora (volume). Ou seja, um fone utopicamente neutro vai apresentar uma linha reta, já que para um mesmo impulso, cada frequência vai ter o mesmo volume, certo?

Então, se a linha é mais para cima ou mais para baixo numa certa região, quer dizer que o fone tem uma quantidade maior ou menor dessa determinada faixa de frequência. Uma linha reta seria uma utopia, não só porque é impossível fazer um diafragma responder linearmente ao longo de toda a sua resposta de frequência mas também porque isso não seria interpretado pelos nossos ouvidos como neutro. Primeiro, porque é normal dar um pequeno aumento nos graves para compensar a ausência de “body cues” que os graves reais, de sons naturais, nos proporcionam. Nós sentimos os graves no peito, e com fones isso não acontece, então é normal aumentar um pouco os graves. Outro problema é nos agudos, já que a pina (parte externa das orelhas) é fonte de reflexão, então qualquer coisa que ouvimos de sons reais sofre influência dessas reflexões. O posicionamento de fones é muito artificial, então algumas alterações (como picos e vales na região 2-8kHz) são necessárias para compensar esse posicionamento. É normal que a região dos médios até os agudos seja bem estranha e longe de uma linha reta.

Bom, assim já dá para saber como interpretar um gráfico na teoria. Mas o que eu disse sobre comparação é porque mesmo que você esteja vendo no gráfico que, suponhamos, os médios de algum fone são recuados, você vai ter dificuldades de saber o quanto – mesmo que esteja vendo a atenuação em decibeis, é difícil ter noção da influência exata disso na voz do fone. Agora, se você tiver o gráfico de um fone com o qual você tenha experiência, isso se torna mais fácil, porque você vai comparar ao que você ouve. O mesmo para toda a faixa de frequência. Um exemplo simplificado: se você acha que o seu fone tem poucos graves, vai querer um que possua uma linha mais alta nessa região.

Assim, com os gráficos, é possível ter uma noção de como toca o fone, pelo menos no equilíbrio tonal.

54 Comentários

  • Fone de Ouvido In-Ear 28/12/2011 - 22:56 Responder

    [...] [...]

  • Diego 30/12/2011 - 00:53 Responder

    Olá Leonarno.
    Uma questão me deixou em dúvida no seu textoe queria saber se poderia me esclarecer.
    Somente poderemos ansalisar o gráfico após já ter conhecimento prévio de outros fones? Digo isso pois nunca tive um fone consideravelmente bom (O mais top que tive foi um mdr-ex500), também nunca ouvi o Sennheiser HD800 e nenhum outro fone muito bom, então eu, apesar de ler as suas explicações ainda acabo olhando esse gráfico e percebo que não sei avalia-lo.
    Gostaria que você me desse uma noção de como você analisaria o gráfico.
    Por exemplo:
    Essa linha assim quer dizer que é neutro;
    Essa linha oscilando muito quer dizer assado;
    Quando a linha é mais horizontal significa tal coisa.

    Acredito que assim você possa esclarecer muitas dúvidas – pelo menos eu não entendo muito disso – e fará o artigo ainda melhor.

    Obrigado pela atenção.
    Diego.

    • mindtheheadphone 30/12/2011 - 14:19 Responder

      Diego, não, claro que não precisa! É como eu disse no texto, vai ser bom para efeito de comparação, mas não é necessário. Aí vai a explicação, que vou adicionar ao artigo:

      A interpretação do gráfico é simples: o eixo horizontal representa a frequência, e o vertical o nível de pressão sonora (volume). Ou seja, um fone utopicamente neutro vai apresentar uma linha reta, já que para um mesmo impulso, cada frequência vai ter o mesmo volume, certo?

      Então, se a linha é mais para cima ou mais para baixo numa certa região, quer dizer que o fone tem uma quantidade maior ou menor dessa determinada faixa de frequência. Uma linha reta seria uma utopia, não só porque é impossível fazer um diafragma responder linearmente ao longo de toda a sua resposta de frequência mas também porque isso não seria interpretado pelos nossos ouvidos como neutro. Primeiro, porque é normal dar um pequeno aumento nos graves para compensar a ausência de “body cues” que os graves reais, de sons naturais, nos proporcionam. Nós sentimos os graves no peito, e com fones isso não acontece, então é normal aumentar um pouco os graves. Outro problema é nos agudos, já que a pina (parte externa das orelhas) é fonte de reflexão, então qualquer coisa que ouvimos de sons reais sofre influência dessas reflexões. O posicionamento de fones é muito artificial, então algumas alterações (como picos e vales na região 2-8kHz) são necessárias para compensar esse posicionamento. É normal que a região dos médios até os agudos seja bem estranha e longe de uma linha reta.

      Bom, assim já dá para saber como interpretar um gráfico na teoria. Mas o que eu disse sobre comparação é porque mesmo que você esteja vendo no gráfico que, suponhamos, os médios de algum fone são recuados, você vai ter dificuldades de saber o quanto – mesmo que esteja vendo a atenuação em decibeis, é difícil ter noção da influência exata disso na voz do fone. Agora, se você tiver o gráfico de um fone com o qual você tenha experiência, isso se torna mais fácil, porque você vai comparar ao que você ouve. O mesmo para toda a faixa de frequência. Um exemplo simplificado: se você acha que o seu fone tem poucos graves, vai querer um que possua uma linha mais alta nessa região.

      Espero ter esclarecido! Um abraço!

  • Carlos Paixao 14/02/2012 - 08:19 Responder

    Opa! Olha eu aqui denovo! Cara, no seu texto vc deixou a impressão que nao existem drivers dinamicos duplos, sendo que na verdade existem, como os Socore COA-805.
    Mas, ótimo artigo assim, mesmo! Valeu!

    • mindtheheadphone 14/02/2012 - 13:27 Responder

      Ricardo, é verdade, não me liguei de incluir isso no artigo, tem também o AKG 240 Sextett. O problema é que são casos tão raros, mas tão raros (inclusive acho que só conheço esses, sem contar os híbridos, como o K340 e Super.fi 5EB) que nem me preocupei em incluir. Mas vou colocar lá então! :)
      Um abraço!

      • Carlos Paixao 14/02/2012 - 13:50 Responder

        Valeuu… mas meu nome é Carlos! Hey, tem tb o Radius HP-TWF11K, japones… dao um soundstage interessantissimo!

        • mindtheheadphone 14/02/2012 - 22:43 Responder

          Opa Carlos, desculpa cara! Também respondi o comentário de um Ricardo hoje e acabei trocando as bolas hahahahaha! E bom saber, não conhecia esse outro fone! Um abração!

  • Celso Laurentino de Medeiros Filho 18/04/2012 - 20:51 Responder

    Olá Leonardo, Estou querendo comprar um fone da AKG K240 – Imp. 55 Ohms ou Shure SRH440 – imp. 44 ohms. Uma dúvida, a impedância deste fones têm que ser necessariamente compatível com impedância de saída do PC ou Player portátil? Esses fones citado são eletrostáticos? Um abraço. Celso

    • mindtheheadphone 19/04/2012 - 08:52 Responder

      Celso, não, são dinâmicos, fones eletrostáticos atuam sobre um princípio totalmente diferente – além de serem muito mais caros, só a Stax e a Koss fabricam eletrostáticos atualmente. Também precisam de um energizador específico. Se eles fossem eletrostáticos, vc já teria visto isso bem evidente onde leu obre eles. Provavelmente, no mesmo lugar onde vc achou essas impedâncias, deve dizer que os fones são dinâmicos.

      E respondendo à outra pergunta, não, não há a necessidade de um casamento perfeito de impedâncias, até porque ela é apenas a impedância nominal, uma média, e varia de acordo com a frequência, como dito no artigo.

      Espero ter ajudado!

  • Celso Laurentino 19/04/2012 - 19:24 Responder

    Olá Leonardo, só mais uma pergunta.
    Entre os 02 fones que citei acima, qual você recomendaria?

    Um abraço. Celso

    • mindtheheadphone 20/04/2012 - 07:38 Responder

      Celso,
      Nunca tive a oportunidade de ouvir nenhum deles, mas já ouvi o Shure SRH840 e tenho um AKG K272 MKII. Acho que os dois são relativamente parecidos, e imagino que isso se repita com as suas duas opções porque são fones mais simples da mesma linha. Acho que se vc estiver à procura dessa sonoridade, qualquer um dos dois vai te satisfazer.

      Um abraço

  • Celso Laurentino 19/04/2012 - 19:24 Responder

    Olá Leonardo, só mais uma pergunta.
    Entre os 02 fones que citei acima, qual você recomendaria?

    Um abraço. Celso

    • mindtheheadphone 20/04/2012 - 07:38 Responder

      Celso,
      Nunca tive a oportunidade de ouvir nenhum deles, mas já ouvi o Shure SRH840 e tenho um AKG K272 MKII. Acho que os dois são relativamente parecidos, e imagino que isso se repita com as suas duas opções porque são fones mais simples da mesma linha. Acho que se vc estiver à procura dessa sonoridade, qualquer um dos dois vai te satisfazer.

      Um abraço

  • Celso Laurentino 20/04/2012 - 20:06 Responder

    Leonardo, mais uma vez obrigado pela ajuda. Celso.

    • mindtheheadphone 22/04/2012 - 18:08 Responder

      Por nada, Celso!
      Um abraço

  • Celso Laurentino 20/04/2012 - 20:06 Responder

    Leonardo, mais uma vez obrigado pela ajuda. Celso.

  • thiago Xavier do Nascimento 12/07/2012 - 18:30 Responder

    Após ler fiquei na dúvida, como conseguir um gráfico desses do meu fone, ATH CKS77.. Existe algum software para fazer isso no PC???

    • mindtheheadphone 13/07/2012 - 01:41 Responder

      Thiago, um gráfico bem feito desses requer equipamentos caríssimos de altíssimo nível, como uma pequena câmara anecoica, microfones binaurais especiais, uma dummy head… então suas chances de fazer um são muito pequenas.

      • thiago Xavier do Nascimento 21/07/2012 - 17:33 Responder

        Eu admito! Vai ser quase impossível mesmo que eu consiga fazer um teste desses… Kkkkkk
        Tenho uma dica Man, pois gosto de ver blog bons sempre crescer, como a mídia é uma coisa sempre ligada à inovação, seria legal vc fazer uma revista digital, que seria lançada todo mês, contendo review, novidades e discussões sobre áudio..

        • mindtheheadphone 23/07/2012 - 14:49 Responder

          Thiago, obrigado pela sugestão interessante, mas no meu caso não é muito possível devido à falta de disponibilidade que tenho. Por isso meus posts demoram tanto pra sair – uma revista digital seria ainda mais complicada!

  • thiago Xavier do Nascimento 12/07/2012 - 18:30 Responder

    Após ler fiquei na dúvida, como conseguir um gráfico desses do meu fone, ATH CKS77.. Existe algum software para fazer isso no PC???

    • mindtheheadphone 13/07/2012 - 01:41 Responder

      Thiago, um gráfico bem feito desses requer equipamentos caríssimos de altíssimo nível, como uma pequena câmara anecoica, microfones binaurais especiais, uma dummy head… então suas chances de fazer um são muito pequenas.

      • thiago Xavier do Nascimento 21/07/2012 - 17:33 Responder

        Eu admito! Vai ser quase impossível mesmo que eu consiga fazer um teste desses… Kkkkkk
        Tenho uma dica Man, pois gosto de ver blog bons sempre crescer, como a mídia é uma coisa sempre ligada à inovação, seria legal vc fazer uma revista digital, que seria lançada todo mês, contendo review, novidades e discussões sobre áudio..

        • mindtheheadphone 23/07/2012 - 14:49 Responder

          Thiago, obrigado pela sugestão interessante, mas no meu caso não é muito possível devido à falta de disponibilidade que tenho. Por isso meus posts demoram tanto pra sair – uma revista digital seria ainda mais complicada!

  • nelson 15/12/2012 - 13:16 Responder

    Leonardo,

    Estamos abrindo nesta próxima semana,em SP, as lojas física e de e commerce http://www.foneland.com.br (não está todo pronto ainda) voltada 100% a importação e comercialização de fones de ouvido,pois realmente acreditamos em “mind the headphones. Ainda que trabalhemos com marcas como AKG/Bose e Sennheiser,nosso público são os “mortais” que ,felizmente estão percebendo que este é um item importante,em vários aspectos no dia a dia…Quero dizer..estamos bem longe do seu nível de audiófilo mas esta é a nossa meta.Tudo isso para pedir a você autorização para reproduzir no nosso site este seu artigo,que sem dúvida muito ajudá o publico a valorizar e escolher os fones.

    Abcs e parabéns pela qualidade e paixão que você coloca neste seu trabalho

    • mindtheheadphone 16/12/2012 - 11:39 Responder

      Opa Nelson, antes de tudo muito obrigado! Sinta-se mais do que à vontade pra publicar qualquer link pro meu blog no site, vai ser um prazer pra mim. Outra coisa, os preços no site são esses mesmo? Se for, estão excelentes!

      E é muito bom saber que em breve vamos finalmente ter uma loja dedicada a fones de ouvido no Brasil. Tenho amigos em São Paulo que vão adorar a notícia!

      Um abraço!

  • nelson 15/12/2012 - 13:16 Responder

    Leonardo,

    Estamos abrindo nesta próxima semana,em SP, as lojas física e de e commerce http://www.foneland.com.br (não está todo pronto ainda) voltada 100% a importação e comercialização de fones de ouvido,pois realmente acreditamos em “mind the headphones. Ainda que trabalhemos com marcas como AKG/Bose e Sennheiser,nosso público são os “mortais” que ,felizmente estão percebendo que este é um item importante,em vários aspectos no dia a dia…Quero dizer..estamos bem longe do seu nível de audiófilo mas esta é a nossa meta.Tudo isso para pedir a você autorização para reproduzir no nosso site este seu artigo,que sem dúvida muito ajudá o publico a valorizar e escolher os fones.

    Abcs e parabéns pela qualidade e paixão que você coloca neste seu trabalho

  • nelson 27/12/2012 - 14:18 Responder

    Ola Leonardo, te confirmo que o post acima bem como o link para sua pagina ,ainda que não seja no local final (está no rodapé) já estão em nosso site bem como sem as figuras dos texto inicial .Como tudo neste País é enrolado,ainda nao conseguimos finalizar a integração com os gateways de pagamento.assim o site oficialmente vai para o ar no final de Janeiro..,a loja física está aberta com o meu filho João Pedro(ex Bose-Discac e Harmman) no comando..

    Sim os preços são os que estão no site,muitos seguindo as recomendações dos fabricantes e distribuidores e outros tendo que seguir a regra(que não existe)de mercado.

    Aproveito tambem para comunicar que já agregamos mais produtos na loja,e outros estão aguardando para serem cadastrados tipo AKG/alguns modelos da Sennheiser e 2 linhas para esportes aquaticos ,H20 e Mormai..Como já comentei anteriormente,temos que ter produtos de várias marcas e públicos…mas sempre teremos para os conhecedores produtos de alta qualidade e reputação.Um grande abraço e nossos melhores desejos que você tenha uma ótimo 2013.
    abcs

    Nelson Montagna

    • mindtheheadphone 29/12/2012 - 12:02 Responder

      Entendi, muito bom, Nelson. Torço pra que o negócio dê muito certo!

      Um grande abraço!

  • nelson 27/12/2012 - 14:18 Responder

    Ola Leonardo, te confirmo que o post acima bem como o link para sua pagina ,ainda que não seja no local final (está no rodapé) já estão em nosso site bem como sem as figuras dos texto inicial .Como tudo neste País é enrolado,ainda nao conseguimos finalizar a integração com os gateways de pagamento.assim o site oficialmente vai para o ar no final de Janeiro..,a loja física está aberta com o meu filho João Pedro(ex Bose-Discac e Harmman) no comando..

    Sim os preços são os que estão no site,muitos seguindo as recomendações dos fabricantes e distribuidores e outros tendo que seguir a regra(que não existe)de mercado.

    Aproveito tambem para comunicar que já agregamos mais produtos na loja,e outros estão aguardando para serem cadastrados tipo AKG/alguns modelos da Sennheiser e 2 linhas para esportes aquaticos ,H20 e Mormai..Como já comentei anteriormente,temos que ter produtos de várias marcas e públicos…mas sempre teremos para os conhecedores produtos de alta qualidade e reputação.Um grande abraço e nossos melhores desejos que você tenha uma ótimo 2013.
    abcs

    Nelson Montagna

    • mindtheheadphone 29/12/2012 - 12:02 Responder

      Entendi, muito bom, Nelson. Torço pra que o negócio dê muito certo!

      Um grande abraço!

  • Gabriel 21/01/2013 - 22:29 Responder

    Olá,
    Sabe me dizer, a partir de que ponto existe realmente a necessidade de um amplificador para o fone de ouvido? Já usei um AKG 702 com e sem amplificador e notei muita diferença, já quando usei um shure srh440 direto na saída do pc e no amplificador não notei muita diferença.

    • mindtheheadphone 24/01/2013 - 12:25 Responder

      Isso depende muito do fone, e é algo “progressivo” em termos de especificações. Mas acho que dá pra generalizar um pouco e dizer que fones com baixa sensibilidade e baixa impedância ou alta impedância e baixa sensibilidade costumam precisar de amplificação.

      Ou, em termos mais acessíveis:
      1 – IEMs não precisam de amplificação. Exceções são raríssimas (Yuin PK1), mas alguns bem sofisticados podem sim se beneficiar de amplificação, mesmo sem precisar de uma pra tocar muito bem (JH13Pro).
      3 – Full-sizes mais simples, até sei lá, 200 dólares, não costumam precisar de amplificação. Raras exceções.
      4 – Fulls mais sofisticados costumam precisar. Raras exceções (exemplo, os Grados).
      5 – Full-sizes voltados pro mercado de monitoração não costumam precisar (como esse Shure, os AKGs da linha profissional – o K701/2 é exceção, mas na prática é muito mais pro mercado de audiófilos).
      6 – Full-sizes especificamente voltados para o uso portátil não costumam precisar (B&W P5, Sennheiser Momentum e HD-25, essas coisas).

      Acho que é isso!

  • Marcos Filho 16/04/2013 - 11:49 Responder

    Só tenho a agradecer! Essa postagem deveria servir de referência a todos que estão iniciando no hobby, como outras do blog, me ajudou muito a entender e fazer melhor minhas escolhas o/

    • mindtheheadphone 16/04/2013 - 16:00 Responder

      Muito obrigado, Marcos!

  • Gabriel 11/07/2013 - 20:25 Responder

    O que você acha dos fones zinken e plattan da marca urbanears?
    andei lendo um reviews e alguns dizem ser bons e outros não..

    Então pelo o que entendi, quanto maior a sensibilidade melhor a qualidade e quanto maior a impedância também?

    O que caracteriza se eu vou ouvir todos os detalhes da musica com clareza e os distinguir sem precisar aumentar o volume?

    Abaixo estão algumas caracteriticas dos fones, mesmo sabendo que elas não servem para fazer uma fiel avaliação.Qual seria o melhor?

    Plattan:Impedância de 60Ω
    115dB Sensibilidade

    Zinken:Impedância de 85Ω
    98dB Sensibilidade

    obrigado

    • mindtheheadphone 12/07/2013 - 02:29 Responder

      Gabriel, pelo que sei nenhum dos dois é bom! Te aconselho a procurar outras opções na mesma faixa de preço.

      Mas olha, acho que vc não entendeu tanto hahaha! :)

      Não disse em momento algum que sensibilidade e impedância maiores se traduzem em mais qualidade. Esse definitivamente não é o caso. São apenas características, umas mais indicadas pra certas ocasiões, outras pra outras. Talvez um fone mais sensível seja mais indicado pro que vc procura, mas não significa que ele seja melhor ou pior que outros. Uma analogia com carros: o que é melhor, um Rolls-Royce ou uma Lamborghini? Depende, se vc quer uma forma relaxante de se locomover, o Rolls. Se quer emoção, a Lamborghini. Nenhum é melhor que o outro, são pra situações distintas.

      Nenhuma especificação caracteriza a capacidade de detalhamento de um fone. Talvez gráficos de resposta a impulsos ou a senóides dêem uma ideia, mas são gráficos dificílimos não só de achar, mas também de interpretar. Então se um fone é detalhado e transparente ou não é algo que vc só vai saber ouvindo.

      Um abraço!

      • Gabriel 12/07/2013 - 03:39 Responder

        humm..to sabendo pouco então rs

        No gráfico tem uma linha q começa em cima, por volta dos -5dB e outra menos intensa que começa em baixo pelos -35dB.O que significa cada?

        Li sua análise do Beats Solo HD em que você relata que ele é ruim, etc.O fone da urbanears estaria no mesmo nível dele, ou seria pior?

        estou procurando outros mas se vejo um fone bonito ele não é bom rsr

        Você me aconselha algum que tenha um ótimo som, não seja muito grande e que seja esteticamente simples e bonito tipo com o urbanears?na faixa de uns R$450

        Obrigado novamente
        Abç

        • mindtheheadphone 13/07/2013 - 02:00 Responder

          Uma é o lado direito e a outra o esquerdo. Mas as diferenças são provavelmente devido ao posicionamento do fone na dummy head.

          Não sei se o Urban Ears está no mesmo nível porque nunca ouvi um, mas sei que não se trata de um fone bom.

          Nessa faixa de preço, eu daria uma olhada nos Philips Citiscape. Se puder comprar de fora, há também Skullcandy Aviator, Audio Technica M50 ou V-Moda Crossfade M-80.

          Um abraço!

  • Gustavo Silva 12/09/2013 - 21:33 Responder

    Por favor! gostaria muito de falar diretamente com o autor dessa matéria. Me procure no e-mail informado, por gentileza. Obrigado!

    • mindtheheadphone 12/09/2013 - 21:39 Responder

      E-mail enviado, Gustavo!

  • Isadora 30/09/2013 - 06:19 Responder

    Olá, percebi que vc é expert no assunto e queria saber se vc acha que esse fone é bom para mim:
    seria para uso diario, nao quero escutar o mundo externo, gosto de voluma alto 30% do tempo… e tbm quero boa qualidade de som, poder distinguir minimamente os instrumentos….
    esse é o fone :
    http://www.fravega.com/productos/audio/accesorios-de-audio/auriculares/auricular-in-ear-sony-mdr-ex10lp-wcu.html

    obrigada!!!

  • Michael 13/11/2013 - 17:14 Responder

    Ótima análise.
    Uma dúvida, vi num programa de tv falando que quanto maior a impedância de um fone, menor será o ruido elétrico que ele fará. Isso é verdade? Por que eu gosto muito de ouvir música clássica, e nas partes calmas, esse chiadozinho do fundo é realmente chato.
    Estava pensando em comprar do EUA o Shure SRH840, vi que você achou ele muito bom. Mas você acha que o Shure SRH440 fará uma grande diferença de qualidade?
    Obrigado!

    • mindtheheadphone 13/11/2013 - 21:25 Responder

      Olá Michael,

      Na teoria mais ou menos, mas na prática não. Ruído de fundo se deve a diversos fatores (mais influentes), que se encontram principalmente no amplificador ou no pareamento de um amp específico com um fone específico. Isso é um assunto complexo, mas o resumo é que na prática existem várias outras questões pra influenciar o ruído.

      Acredito que a diferença de desempenho entre os dois será significativa – por isso, se for possível, eu iria no SRH840. Outro fone que merece consideração, que funciona muito bem com música clássica, é o AKG K550 – estou terminando de formatar a avaliação dele para postá-la aqui!

      Um abraço!

      • Michael 14/11/2013 - 18:41 Responder

        Obrigado pelo esclarecimento, estou cada vez mais me interessando a aprender a fundo sobre audio.
        Eu fiquei curioso sobre a impedância, porque passei a observá-la e buscar a maior como sinal de qualidade, mas vi que não fazia muito sentido quando achei um fone de R$10 que dizia ter 120 ohm.

        Vou de shure 840 então, vou usá-lo no PC, você recomendaria uma placa de som específica? Eu comprei uma asus xonar DG, mas confesso que não vi diferença para a onboard em questão de qualidade, junto com um Tritton pro+

        Inclusive, no artigo acho que só faltou falar, junto com o “enhanced bass”, os fones de vários canais de audio. Eu fui um desavisado que pagou 190 dolares num Tritton, por causa dos 8 falantes que fariam “5.1 real”. Mas para música não percebi diferença de qualidade para um fone qualquer de R$30

        • mindtheheadphone 17/11/2013 - 00:44 Responder

          É Michael, como disse no artigo, a impedância é meramente uma característica. Impedâncias mais altas podem sim ter suas vantagens, mas no final das contas não é determinante de absolutamente nada. Por exemplo, o Sennheiser HD800 possui impedância de 300 ohms e é obviamente muito superior aos Beyers DT880 de 600 ohms.

          O SRH840 não é um fone particularmente exigente, então uma Xonar pode ser o suficiente. Mas, se quiser algo melhor, eu não recomendo nenhuma placa de som – um DAC e amplificador externos seriam a melhor solução, mesmo modelos muito simples como os FiiO E17 e E07K.

          E obrigado pela sugestão, é interessante sim. Tenho visto muitas pessoas falando sobre esses fones multi-canal, que não trazem muitos benefícios reais.

  • Paulo 27/11/2013 - 12:50 Responder

    Caro Leonardo,

    Vc tem alguma referência técnica quando se trata de headset para rádios de comunicação? Vejo uma grande variedade no mercado, muita discussão, muita variação de opiniões e nenhuma conclusão lógica a este respeito. No meio policial, os hesdsets precisam ter uma qualidade boa de recepção e transmissão, pois as condições de uso são extremas com muito ruído externo e baixa qualidade na transmissão de voz. O headset de qualidade é um equipamento determinante na qualidade desta recepção/transmissão do som. Vc tem algum estudo sobre isto? sabe qual poderia ser a melhor relação de impedância-sensibilidade-frequência p estes casos? obrigado pela atenção.
    Paulo Lourenco

    • mindtheheadphone 28/11/2013 - 17:51 Responder

      Olá Paulo!

      Infelizmente não sei nada específico a respeito de headsets para esse uso… mas pelo que pude entender com seu exemplo do uso policial, chutaria o seguinte:

      Se o objetivo é a inteligibilidade da fala em primeiro lugar, o ideal, em termos de assinatura sonora, é um fone centrado nos médios e agudos, e isso talvez não seja muito fácil de achar em headsets destinados ao consumidor comum – com exceções, como por exemplo o Sennheiser PC360. A questão é que graves excessivos – como no AKG GHS1 – embolam bastante a apresentação e prejudicam o entendimento. A voz humana está nas frequências médias, e os agudos, de certa forma, dão a ela a “distinção” em meio ao resto e podem ajudar bastante. Um fone centrado nessas faixas de frequência vão ser muito mais inteligíveis do que outros headsets gamers que trazem graves fortes para enaltecer efeitos como explosões.

      Em termos de especificações, também para esse fim, acredito que o ideal seja que o fone seja o mais alto possível. Se esse for de fato o caso, os fatores determinantes são sensibilidade alta e impedância baixa. O resultado é ditado por um equilíbrio entre esses dois parâmetros. Resposta de frequência não é importante aqui. Basicamente qualquer fone já vai ter a resposta que vc precisa.

      Veja que estou falando de questões que tangem unicamente a inteligibilidade da fala, visto que esse é o seu objetivo. Não estou considerando o desempenho para música. Uma marca que possuía produtos – se não me engano foram descontinuados, infelizmente – que me pareciam interessantes era a JH Audio, que possuía uma linha especificamente desenvolvida para a aviação. Eles não seguem exatamente o que disse acima, o foco nas frequências médias e altas, mas eram monitores customizados feitos sob medida. Consequentemente, o isolamento de ruídos externos (o que também faz diferença no caso em questão) é muito eficiente, e aliado à sua grande capacidade de resolução, certamente comporia um fone onde a voz é muito clara.

      É isso! Peço desculpas por não poder ajudar mais nesse assunto.

      Um abraço!

  • Fabiano Vaz 20/05/2014 - 05:50 Responder

    Poxa, é ótimo encontrar artigos como esse!
    Caro MINDTHEHEADPHONE, a primeira vez que resolvi trocar meus fones de R$1,99 por um melhorzinho, o Sony Ericsson HPM-77, fiquei impressionado com a diferença de qualidade.
    Mesmo pesquisando bastante na internet, afim de comprar um bom fone, é possível continuar se enganando com marcas que valem apenas no marketing, e seu artigo é uma luz para quem, leigos como eu, buscam por um fone ótimo e adequado.
    Ficava muito confuso (e ainda fico um pouco) ao ver fones baratos mas com especificações “melhores” do que outros mais caros e profissionais. Li em alguns sites que quanto maior a impedância melhor é o fone. Já em outros descobri que impedâncias altas geram sons com baixos decibeis e de nada adiantam se o player não fornece a “potencia” adequada. Bem, gostaria de pedir uma gentileza sua em me sugerir um fone de ouvido intra auricular de até R$ 200,00 para usar com meu smartphone (samsung s4 mini). Um celular pode entregar boa qualidade de som para um bom fone de ouvido intra auricular? Obrigado pelo artigo e parabéns!

    • mindtheheadphone 22/05/2014 - 23:09 Responder

      Muito obrigado, Fabiano!

      Minha sugestão: entre no nosso fórum, lá podemos te ajudar melhor. Há um tópico de indicações.

      Um abraço!

  • mindtheheadphone 14/02/2012 - 22:43 Responder

    Opa Carlos, desculpa cara! Também respondi o comentário de um Ricardo hoje e acabei trocando as bolas hahahahaha! E bom saber, não conhecia esse outro fone! Um abração!

  • mindtheheadphone 19/04/2012 - 08:52 Responder

    Celso, não, são dinâmicos, fones eletrostáticos atuam sobre um princípio totalmente diferente – além de serem muito mais caros, só a Stax e a Koss fabricam eletrostáticos atualmente. Também precisam de um energizador específico. Se eles fossem eletrostáticos, vc já teria visto isso bem evidente onde leu obre eles. Provavelmente, no mesmo lugar onde vc achou essas impedâncias, deve dizer que os fones são dinâmicos.

    E respondendo à outra pergunta, não, não há a necessidade de um casamento perfeito de impedâncias, até porque ela é apenas a impedância nominal, uma média, e varia de acordo com a frequência, como dito no artigo.

    Espero ter ajudado!

  • mindtheheadphone 24/01/2013 - 12:25 Responder

    Isso depende muito do fone, e é algo “progressivo” em termos de especificações. Mas acho que dá pra generalizar um pouco e dizer que fones com baixa sensibilidade e baixa impedância ou alta impedância e baixa sensibilidade costumam precisar de amplificação.

    Ou, em termos mais acessíveis:
    1 – IEMs não precisam de amplificação. Exceções são raríssimas (Yuin PK1), mas alguns bem sofisticados podem sim se beneficiar de amplificação, mesmo sem precisar de uma pra tocar muito bem (JH13Pro).
    3 – Full-sizes mais simples, até sei lá, 200 dólares, não costumam precisar de amplificação. Raras exceções.
    4 – Fulls mais sofisticados costumam precisar. Raras exceções (exemplo, os Grados).
    5 – Full-sizes voltados pro mercado de monitoração não costumam precisar (como esse Shure, os AKGs da linha profissional – o K701/2 é exceção, mas na prática é muito mais pro mercado de audiófilos).
    6 – Full-sizes especificamente voltados para o uso portátil não costumam precisar (B&W P5, Sennheiser Momentum e HD-25, essas coisas).

    Acho que é isso!

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